O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (28) que a única guerra que deve ser travada pelo Brasil e pelos países da América Latina e do Caribe é contra a fome e a desigualdade. A declaração foi feita durante discurso no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, realizado no Panamá. Segundo o presidente, a história demonstra que o uso da força não é capaz de resolver os problemas estruturais da região e apenas aprofunda divisões.
Lula também criticou o atual cenário de fragmentação regional e destacou a necessidade de retomada do diálogo e da cooperação entre os países latino-americanos como estratégia para enfrentar desafios sociais e econômicos.
Crítica ao uso da força e às disputas geopolíticas
Durante o evento, o presidente afirmou que a divisão do mundo em zonas de influência e as investidas por recursos estratégicos representam retrocessos históricos. Para Lula, esse tipo de postura reforça desigualdades e impede soluções duradouras para problemas comuns do continente.
“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério”, afirmou. Ele defendeu que a diplomacia e a integração regional devem ser priorizadas como instrumentos de desenvolvimento.
Contexto internacional e Venezuela
A fala de Lula ocorre após a operação militar realizada por forças dos Estados Unidos no início do ano, que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas, para levá-lo à Justiça norte-americana sob acusações de narcotráfico.
Desde então, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado que empresas norte-americanas passarão a explorar o petróleo venezuelano. Também houve a apreensão de navios-tanque com petróleo do país sul-americano, posteriormente processado em refinarias dos EUA.
Na época da ação militar, Lula condenou a operação e afirmou que ela ultrapassava uma “linha inaceitável”. Em declarações mais recentes, o presidente brasileiro disse que segue indignado com os acontecimentos na Venezuela.
Defesa da integração regional
No discurso no Panamá, Lula ressaltou que a América Latina e o Caribe vivem um dos momentos mais delicados em termos de integração. Segundo ele, falta às lideranças regionais convicção política para construir um projeto comum de desenvolvimento.
Para o presidente, o fortalecimento dos laços entre os países da região é essencial para reduzir desigualdades, ampliar oportunidades econômicas e garantir maior autonomia frente a pressões externas.
Relação histórica com os Estados Unidos
Apesar das críticas, Lula destacou que houve períodos em que os Estados Unidos adotaram uma postura de cooperação com a América Latina. Ele citou o governo do presidente Franklin Roosevelt, que implementou a chamada política de boa vizinhança, priorizando a diplomacia em vez de intervenções militares.
Segundo Lula, esse tipo de abordagem representa um caminho mais produtivo para as relações internacionais e para o fortalecimento do desenvolvimento regional.
Conversa com Trump e visita a Washington
Na última segunda-feira, Lula conversou por telefone com Donald Trump. De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade na região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.
Ainda segundo o governo brasileiro, os dois líderes acertaram uma visita oficial de Lula a Washington. O presidente informou que a viagem deve ocorrer em março, com o objetivo de discutir temas estratégicos e reforçar o diálogo bilateral.





