O ex-militar Ben Roberts-Smith, considerado o soldado mais condecorado ainda vivo da Austrália, foi preso nesta terça-feira (7) ao desembarcar no aeroporto de Sydney. Ele passa a responder formalmente por acusações graves relacionadas a sua atuação durante missões no Afeganistão.
De acordo com a Polícia Federal Australiana, o ex-integrante das forças especiais é investigado por cinco crimes de homicídio envolvendo civis e detentos que não participavam de combates. As acusações se referem a evento ocorrido entre 2009 e 2012, período em que ele esteve em operações no país asiático.
Prisão marca nova fase em investigação de crimes de guerra
As autoridades afirmam que as vítimas teriam sido mortas pelo próprio militar ou por subordinados sob sua supervisão direta. Em alguns casos, segundo a investigação, os alvos já estavam sob custódia, o que agrava a natureza das acusações. Cada um dos crimes pode resultar em pena de prisão perpétua.
Roberts-Smith nega todas as acusações e sustenta que suas ações ocorreram dentro das regras de combate. Ainda assim, o caso ganhou força após uma longa disputa judicial iniciada em 2018, quando ele processou veículos de imprensa que divulgaram denúncias contra sua atuação. Em 2023, a Justiça australiana concluiu, em esfera civil, que há indícios consistentes de envolvimento em assassinatos de civis desarmados.
A prisão ocorre no contexto de investigações mais amplas sobre possíveis crimes cometidos por militares australianos no Afeganistão. Um relatório oficial divulgado em 2020 já havia apontado evidências de execuções ilegais realizadas por tropas de elite, levando à criação de uma força-tarefa específica para apurar os casos.
O processo é considerado complexo, principalmente pela dificuldade de acesso aos locais onde os crimes teriam ocorrido. Ainda assim, autoridades classificam a detenção como um avanço significativo na busca por responsabilização.
O caso agora segue para julgamento, sob grande atenção nacional e internacional.





