Dados divulgados pela agência Deutsche Welle revelam um cenário silencioso, mas alarmante, que atinge milhões de famílias brasileiras: mais de 1,7 milhão de crianças registradas na última década nasceram sem o nome do pai na certidão de nascimento.
Por trás da estatística estão histórias marcadas por ausência, sobrecarga familiar e impactos emocionais que podem acompanhar a criança por toda a vida. “Nunca conheci meu pai. O mais próximo que tenho dele é um nome”, relatou o funcionário público Luan de Oliveira, de 34 anos, em entrevista à agência.
Problema vai além do documento
Segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil, somente em 2025 cerca de 174 mil recém-nascidos foram registrados apenas com o nome da mãe. O número representa mais de 6% de todos os nascimentos do país neste ano.
Apesar de muitos filhos conhecerem biologicamente seus pais, a ausência do reconhecimento formal faz com que essas crianças fiquem sem direitos importantes garantidos por lei, como pensão alimentícia, herança e benefícios previdenciários.
O impacto da ausência paterna não fica restrito ao papel. Sem o reconhecimento legal, toda a responsabilidade financeira e jurídica costuma recair sobre a mãe, principalmente em famílias de baixa renda.
Além disso, psicólogos apontam consequências emocionais profundas. Crianças e adolescentes podem desenvolver sentimentos de rejeição, insegurança e dificuldades na construção da própria identidade, especialmente em momentos de comparação social, como datas escolares ligadas à figura paterna.
Na tentativa de reduzir esse cenário, o Brasil lançou recentemente uma plataforma digital que permite solicitar o reconhecimento de paternidade de forma online, sem necessidade inicial de ir ao cartório. O sistema possibilita que mães, pais ou até filhos maiores de idade iniciem o processo pela internet.
A medida busca diminuir a burocracia e facilitar o acesso ao reconhecimento civil, especialmente para famílias que vivem longe dos centros urbanos ou enfrentam dificuldades financeiras.





