Dormir com a televisão ligada, um abajur aceso ou até mesmo a luz do celular por perto pode parecer inofensivo, mas esse hábito pode trazer consequências importantes para a saúde do coração. É o que aponta um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open, que relacionou a exposição à luz artificial durante a madrugada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares.
A pesquisa acompanhou 88.905 adultos do banco de dados UK Biobank que não apresentavam doenças cardiovasculares no início do estudo. Durante uma semana, os participantes usaram sensores no pulso para medir a quantidade de luz à qual eram expostos enquanto dormiam. Em seguida, os pesquisadores monitoraram a saúde do grupo por uma média de 9,5 anos.
Estudo aponta maior risco de insuficiência cardíaca e infarto
Os resultados mostraram que as pessoas expostas aos níveis mais elevados de luz entre 0h30 e 6h apresentaram maior probabilidade de desenvolver diferentes problemas cardiovasculares. O risco de insuficiência cardíaca foi 56% maior em comparação com quem dormia em ambientes mais escuros.
Além disso, o estudo identificou aumento de 47% no risco de infarto do miocárdio, 32% para doença arterial coronariana, 32% para fibrilação atrial e 28% para acidente vascular cerebral (AVC).
Os autores, liderados pelo pesquisador Daniel P. Windred, destacam que a associação permaneceu mesmo após considerar fatores como atividade física, consumo de álcool, qualidade do sono, condições socioeconômicas e predisposição genética.
Segundo os cientistas, a luz durante a noite interfere no ritmo circadiano — o relógio biológico responsável por regular diversas funções do organismo. Essa alteração pode afetar a pressão arterial, favorecer a formação de coágulos, prejudicar o metabolismo da glicose e aumentar a ocorrência de arritmias.
Embora o estudo não comprove uma relação direta de causa e efeito, os pesquisadores reforçam que reduzir a exposição à luz durante o sono pode ser uma medida simples para proteger a saúde cardiovascular.





