Dois dos maiores diretores da história do cinema, Martin Scorsese e Steven Spielberg, elegera o filme que, para ambos, se destaca como um dos melhores filmes de todos os tempos.
Trata-se de “Rastros de Ódio” (“The Searchers”, 1956), dirigido por John Ford — um clássico que atravessa gerações e continua moldando o cinema moderno.
O faroeste que redefiniu o cinema
Lançado em 1956, “Rastros de Ódio” acompanha Ethan Edwards, interpretado por John Wayne, um ex-soldado que embarca numa busca obsessiva pela sobrinha sequestrada por nativos americanos.
Mas o que parece uma simples história de vingança rapidamente se transforma em um estudo profundo sobre racismo, isolamento e os traumas de um país marcado pela guerra. É justamente essa camada psicológica que atrai Scorsese, que já declarou à Hollywood Reporter que o filme o “assombra” a cada revisão.
Spielberg, por sua vez, vê o filme como um guia técnico e visual. Em entrevista à CNN, o diretor afirmou que sempre revisita o clássico antes de iniciar um novo projeto, destacando o uso da câmera, os enquadramentos e a forma como Ford utiliza a paisagem como parte da narrativa. Segundo ele, essa estética influenciou diretamente cenas de “E.T.”, “O Resgate do Soldado Ryan” e “Guerra dos Mundos”.
O impacto vai além. O crítico Roger Ebert apontou que Ethan Edwards serviu de inspiração para o roteirista Paul Schrader ao criar Travis Bickle, protagonista de “Taxi Driver”. A referência também aparece no primeiro longa de Scorsese, “Quem Bate à Minha Porta?” (1967) e serviu de referência para “Star Wars”, de George Lucas.
Reconhecido pelo American Film Institute como o maior faroeste já feito, “Rastros de Ódio” permanece vivo quase sete décadas depois. Sua famosa cena final — com John Wayne enquadrado na porta, caminhando para o deserto — sintetiza a solidão do herói americano e reafirma por que Scorsese e Spielberg o consideram o maior filme de todos os tempos.





