O governo federal prepara uma nova fase do Desenrola Brasil e, desta vez, a proposta vai além de quem está com o nome sujo. A ideia é incluir brasileiros que nunca ficaram inadimplentes, mas convivem diariamente com juros altos, crédito difícil e condições desfavoráveis oferecidas pelos bancos.
A nova etapa do programa foi antecipada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e deve ser anunciada oficialmente nas próximas semanas. Entre os principais focos estão trabalhadores informais e consumidores considerados “bons pagadores”, mas que ainda enfrentam taxas elevadas em empréstimos, cartão de crédito e financiamentos.
Na prática, isso significa que pessoas que mantêm as contas em dia também poderão acessar linhas de crédito com juros menores. O objetivo do governo é reduzir o custo financeiro para quem hoje paga caro mesmo sem histórico de inadimplência.
Como a mudança pode afetar quem nunca teve dívidas?
A principal aposta da equipe econômica é que a redução da inadimplência no país ajude a diminuir o chamado spread bancário — a diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram dos clientes.
Segundo o governo, quando há menos risco de calote, as instituições financeiras tendem a reduzir juros para toda a população, inclusive para quem nunca atrasou contas. Além disso, trabalhadores informais, que normalmente têm dificuldade para comprovar renda, poderão acessar linhas específicas de crédito com condições mais vantajosas.
Hoje, muitos autônomos acabam recorrendo a empréstimos caros justamente por estarem fora das opções tradicionais do sistema financeiro.
A nova fase do programa deve funcionar por tempo limitado, com duração estimada de 90 dias. A expectativa é ampliar o acesso ao crédito e aliviar o peso dos juros em um momento em que o custo de vida segue pressionando o orçamento de milhões de brasileiros.





