O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o novo Desenrola Brasil com uma medida aparentemente muito convidativa: a possibilidade de usar parte do FGTS para quitar dívidas.
A proposta pode parecer razoável, mas especialistas apontam os riscos envolvidos em usar a conta poupança obrigatória.
Uso do FGTS para dívidas divide opiniões entre especialistas
O programa prevê descontos de até 90% e juros reduzidos, além da liberação de até 20% do saldo do FGTS para pagamento direto aos credores. A iniciativa surge em um cenário de endividamento recorde no Brasil, com famílias cada vez mais comprometidas com crédito caro, como cartão e cheque especial.
Ainda assim, o uso do fundo gera controvérsia. Em entrevista ao portal Midiamax, o especialista em finanças Luis Serrano defendeu cautela. “O FGTS é um patrimônio do trabalhador e não deveria ser usado para pagar dívidas de consumo do dia a dia”, afirmou. Para ele, programas recorrentes de renegociação não atacam a raiz do problema e tendem a ter efeito limitado no longo prazo.
A preocupação é reforçada por análises mais amplas. Em entrevista à CNN Brasil, o planejador financeiro Jeff Patzlaff avalia que há risco de “efeito rebote”.
Segundo ele, ao quitar dívidas, o consumidor limpa o nome e recupera acesso ao crédito — o que pode levar a um novo ciclo de endividamento em poucos meses. “Dessa vez, sem o FGTS como reserva, o trabalhador reduz seu patrimônio e transfere recursos ao sistema financeiro”, explicou.
Dados recentes mostram a dimensão do problema: o endividamento das famílias já se aproxima de metade da renda, segundo o Banco Central, enquanto milhões de brasileiros enfrentam inadimplência recorrente.
Nesse contexto, especialistas apontam que educação financeira, controle de gastos e uso consciente do crédito são medidas mais sustentáveis a longo prazo e sem precisar mexer em um dinheiro tão importante.





