Quando o assunto é bebida alcoólica forte, muita gente pensa em uísques encorpados, vodkas potentes ou no lendário absinto. Mas nenhuma delas chega perto do título mais extremo do mundo. Esse posto pertence ao Cocoroco, uma aguardente tradicional produzida na região andina da Bolívia que atinge impressionantes 96% de teor alcoólico — praticamente o limite máximo possível pela destilação.
Produzido de forma artesanal a partir da cana-de-açúcar, o Cocoroco não é apenas uma curiosidade etílica. A bebida tem profundo valor cultural e simbólico, especialmente entre comunidades indígenas aymaras.
Seu consumo costuma estar ligado a rituais, celebrações e encontros comunitários, sempre em quantidades mínimas. Em alguns casos, é diluído em chás ou usado em preparações tradicionais para reduzir o impacto do álcool quase puro.
Tradição, limite químico e restrições legais
Do ponto de vista científico, o Cocoroco também chama atenção por atingir o teto da destilação alcoólica: acima de 96%, não é possível concentrar mais etanol sem processos químicos adicionais. Isso explica por que ele figura no topo dos rankings globais de bebidas mais fortes produzidas legalmente.
Fora da Bolívia, no entanto, a circulação da bebida é bastante limitada. No Brasil, por exemplo, a legislação proíbe a venda de bebidas com graduação alcoólica superior a 60%, o que torna o Cocoroco ilegal no mercado nacional. O mesmo ocorre em outros países da região.
Apesar disso, ele ganhou fama internacional entre turistas e curiosos, despertando interesse como símbolo de tradição extrema — e também como alerta. O consumo inadequado pode provocar intoxicação grave, danos ao sistema digestivo e risco real à vida.
Após o Cocoroco, outras bebidas aparecem na lista das mais alcoólicas do mundo, como o Spirytus Rektyfikowany, da Polônia (95,6%), e o Poitín, tradicional da Irlanda (90%). Nenhuma, porém, supera a aguardente boliviana que desafia os limites da química — e do bom senso.





