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NASA investiga mistério após toneladas de terra reaparecerem no oceano

Por Eduardo Sant’Anna
20/01/2026
NASA investiga mistério após toneladas de terra reaparecerem no oceano

Instagram/Reprodução

Entre os meses de janeiro e março, todos os anos, pequenas massas de sargaço, algas do gênero Sargassum, típicas de regiões tropicais e subtropicais, começam a se formar no Oceano Atlântico. 

Com o avanço da primavera no Hemisfério Norte, essas formações crescem rapidamente e dão origem a um fenômeno impressionante, uma extensa “faixa de terra flutuante” visível até mesmo por satélite.

O evento, monitorado pela NASA, vem chamando a atenção da comunidade científica por seu crescimento acelerado e impactos ambientais cada vez mais severos.

O que é o Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico

Conhecido como Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, o fenômeno é uma macrofloração de algas que pode se estender da costa oeste da África até o Golfo do México. Segundo dados da agência espacial norte-americana, essa estrutura conecta diferentes regiões oceânicas e ecossistemas distantes, formando um corredor biológico flutuante com milhares de quilômetros de extensão.

O cinturão começou a ser identificado por imagens de satélite em 2011 e, desde então, passou a reaparecer anualmente, principalmente entre o fim da primavera e o verão.

Recorde histórico de biomassa em 2025

O monitoramento mais recente revelou números alarmantes. Em março de 2025, o cinturão atingiu seu maior volume já registrado, entre 37 e 38 milhões de toneladas métricas de biomassa, superando o recorde anterior de aproximadamente 22 milhões de toneladas, registrado em 2022.

Em algumas regiões do Caribe, imagens de satélite mostraram camadas de algas com mais de 1 quilômetro de largura, gerando preocupação entre autoridades ambientais e setores ligados ao turismo.

De onde vêm essas algas?

As espécies predominantes no fenômeno são a Sargassum natans e a Sargassum fluitans. Elas são classificadas como macroalgas holopelágicas, ou seja, vivem flutuando no oceano, sem depender de substratos costeiros.

A origem do crescimento acelerado está associada às correntes oceânicas, que transportam nutrientes do Atlântico Norte para o Atlântico Tropical. Entre as principais fontes estão os grandes rios, como:

  • Rio Amazonas, responsável por grandes cargas de nitrogênio e fósforo durante a estação chuvosa;
  • Rio Congo, que despeja nutrientes na costa oeste africana.

Esses elementos funcionam como “fertilizantes naturais” para as algas, estimulando seu crescimento em larga escala.

Aquecimento global intensifica o fenômeno

Pesquisas conduzidas por universidades norte-americanas apontam que o aumento das temperaturas globais também contribui para o avanço do cinturão de sargaço. O aquecimento das águas, aliado às atividades humanas que elevam a concentração de nutrientes nos oceanos, cria condições ideais para a proliferação dessas algas.

Para a NASA, o padrão observado desde 2011 indica que o fenômeno não apenas persiste, mas vem aumentando de intensidade ao longo dos anos.

Quando o sargaço vira problema ambiental

Em mar aberto, o cinturão pode ter um papel positivo, servindo de abrigo para peixes, tartarugas, aves e invertebrados marinhos. O problema surge quando grandes volumes de algas se acumulam próximo às costas ou encalham nas praias.

Nessas situações, os impactos incluem:

  • Sufocamento de habitats naturais;
  • Danos severos a recifes de corais;
  • Redução de luz e oxigênio no ambiente marinho costeiro;
  • Aumento da erosão costeira.

Além disso, durante a decomposição, as algas liberam sulfeto de hidrogênio, gás responsável pelo forte odor de “ovo podre” e potencialmente prejudicial à saúde humana e à fauna local.

Alerta científico para os próximos anos

No pico de atividade, o cinturão atinge praias do Caribe, Flórida, México e outras regiões do Atlântico tropical. Para os cientistas, o fenômeno representa um novo desafio ambiental global.

A NASA destaca que, por se tratar de um evento relativamente recente, ainda há muitas incertezas sobre seu comportamento futuro. O crescimento contínuo do sargaço exige monitoramento constante e estratégias internacionais de mitigação, antes que os impactos se tornem irreversíveis.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Eduardo Sant’Anna

Eduardo Sant’Anna

Jornalista apaixonado por esportes. Experiência em redação, produção de textos e elaboração de pautas.

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