Entre os meses de janeiro e março, todos os anos, pequenas massas de sargaço, algas do gênero Sargassum, típicas de regiões tropicais e subtropicais, começam a se formar no Oceano Atlântico.
Com o avanço da primavera no Hemisfério Norte, essas formações crescem rapidamente e dão origem a um fenômeno impressionante, uma extensa “faixa de terra flutuante” visível até mesmo por satélite.
O evento, monitorado pela NASA, vem chamando a atenção da comunidade científica por seu crescimento acelerado e impactos ambientais cada vez mais severos.
O que é o Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico
Conhecido como Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, o fenômeno é uma macrofloração de algas que pode se estender da costa oeste da África até o Golfo do México. Segundo dados da agência espacial norte-americana, essa estrutura conecta diferentes regiões oceânicas e ecossistemas distantes, formando um corredor biológico flutuante com milhares de quilômetros de extensão.
O cinturão começou a ser identificado por imagens de satélite em 2011 e, desde então, passou a reaparecer anualmente, principalmente entre o fim da primavera e o verão.
Recorde histórico de biomassa em 2025
O monitoramento mais recente revelou números alarmantes. Em março de 2025, o cinturão atingiu seu maior volume já registrado, entre 37 e 38 milhões de toneladas métricas de biomassa, superando o recorde anterior de aproximadamente 22 milhões de toneladas, registrado em 2022.
Em algumas regiões do Caribe, imagens de satélite mostraram camadas de algas com mais de 1 quilômetro de largura, gerando preocupação entre autoridades ambientais e setores ligados ao turismo.
De onde vêm essas algas?
As espécies predominantes no fenômeno são a Sargassum natans e a Sargassum fluitans. Elas são classificadas como macroalgas holopelágicas, ou seja, vivem flutuando no oceano, sem depender de substratos costeiros.
A origem do crescimento acelerado está associada às correntes oceânicas, que transportam nutrientes do Atlântico Norte para o Atlântico Tropical. Entre as principais fontes estão os grandes rios, como:
- Rio Amazonas, responsável por grandes cargas de nitrogênio e fósforo durante a estação chuvosa;
- Rio Congo, que despeja nutrientes na costa oeste africana.
Esses elementos funcionam como “fertilizantes naturais” para as algas, estimulando seu crescimento em larga escala.
Aquecimento global intensifica o fenômeno
Pesquisas conduzidas por universidades norte-americanas apontam que o aumento das temperaturas globais também contribui para o avanço do cinturão de sargaço. O aquecimento das águas, aliado às atividades humanas que elevam a concentração de nutrientes nos oceanos, cria condições ideais para a proliferação dessas algas.
Para a NASA, o padrão observado desde 2011 indica que o fenômeno não apenas persiste, mas vem aumentando de intensidade ao longo dos anos.
Quando o sargaço vira problema ambiental
Em mar aberto, o cinturão pode ter um papel positivo, servindo de abrigo para peixes, tartarugas, aves e invertebrados marinhos. O problema surge quando grandes volumes de algas se acumulam próximo às costas ou encalham nas praias.
Nessas situações, os impactos incluem:
- Sufocamento de habitats naturais;
- Danos severos a recifes de corais;
- Redução de luz e oxigênio no ambiente marinho costeiro;
- Aumento da erosão costeira.
Além disso, durante a decomposição, as algas liberam sulfeto de hidrogênio, gás responsável pelo forte odor de “ovo podre” e potencialmente prejudicial à saúde humana e à fauna local.
Alerta científico para os próximos anos
No pico de atividade, o cinturão atinge praias do Caribe, Flórida, México e outras regiões do Atlântico tropical. Para os cientistas, o fenômeno representa um novo desafio ambiental global.
A NASA destaca que, por se tratar de um evento relativamente recente, ainda há muitas incertezas sobre seu comportamento futuro. O crescimento contínuo do sargaço exige monitoramento constante e estratégias internacionais de mitigação, antes que os impactos se tornem irreversíveis.





