Nos últimos anos, os cursos de Medicina no Brasil têm enfrentado uma mudança significativa. Entre 2015 e 2024, o número de novos alunos cresceu 120%, passando de 26.983 para 60.366. Esse aumento preocupa, pois foi acompanhado de um declínio na nota média do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) dos novos estudantes. Em 2015, a média era de 684 pontos, mas caiu para 633 em 2024.
A queda exponencial na nota média acontece em um momento de grande expansão nas vagas de Medicina, especialmente em instituições privadas. Apesar da ampliação, as notas médias do Enem não acompanharam o mesmo ritmo de crescimento, o que aumenta as preocupações sobre a formação dos novos médicos.
Enquanto isso, cursos como Direito mostraram estabilidade, com médias de desempenho ligeiramente variando em 2015 e 2024.
Concorrência
A disputa para ingressar em cursos de Medicina continua alta, principalmente nas universidades públicas, onde a relação chega a 51 candidatos por vaga. Nas instituições privadas, a relação é de 9 por vaga, refletindo uma diferença significativa no acesso.
O aumento das vagas não garante a mesma exigência nos critérios de seleção, levantando questões sobre a manutenção dos padrões educacionais.
Novos critérios regulatórios
Com o fim da moratória em 2023, que limitava novos cursos de Medicina, o MEC buscou reforçar os critérios de avaliação. As diretrizes agora se baseiam no programa Mais Médicos, focando na necessidade de atendimento em áreas carentes.
Foi introduzido também o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), criando uma nova camada de avaliação.
O Enamed, lançado inicialmente para estudantes do 6º ano, busca verificar a eficácia dos cursos de Medicina. A partir de 2026, será estendido para o 4º ano. Caso as instituições não atinjam os critérios de qualidade, o MEC prevê sanções rigorosas, incluindo a suspensão de novos processos seletivos.





