Uma nova tecnologia de monitoramento de velocidade em rodovias pode mudar a forma como o “jeitinho brasileiro” no trânsito é aplicado para evitar multas. Em fase de estudos por concessionárias e órgãos de infraestrutura, o sistema baseado em velocidade média promete reduzir a prática de desacelerar apenas na frente de radares fixos — estratégia comum entre motoristas para escapar da fiscalização.
O modelo ainda não está em operação para aplicação de multas no Brasil, mas já é considerado por especialistas como uma evolução natural dos atuais sistemas de radar. A proposta é simples: em vez de medir a velocidade em um único ponto, o sistema calcula o tempo de deslocamento entre dois trechos da via, identificando a velocidade média do veículo ao longo do percurso.
Multas atuais seguem regras do CTB
Apesar do avanço tecnológico, o Ministério dos Transportes esclarece que não há, neste momento, fiscalização por velocidade média em funcionamento ou testes autorizados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Também não existe base legal no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que permita a aplicação de penalidades com esse método.
A adoção, segundo a pasta, depende de mudança legislativa e regulamentação específica. Mesmo assim, o tema já é acompanhado por órgãos federais e por concessionárias de rodovias, que veem na tecnologia uma possibilidade de aumentar a segurança viária e reduzir acidentes causados por excesso de velocidade.
Enquanto o novo sistema não sai do papel, continuam valendo as regras tradicionais de fiscalização eletrônica. O valor da multa por excesso de velocidade varia conforme o percentual acima do limite permitido:
- até 20% acima: R$ 130,16 (infração média, 4 pontos na CNH)
- de 20% a 50%: R$ 195,23 (infração grave, 5 pontos)
- acima de 50%: R$ 880,41 (infração gravíssima, suspensão da CNH)
Esse último caso é considerado autossuspensivo, ou seja, o motorista pode ter a habilitação suspensa independentemente da pontuação acumulada.





