Se você passou dos 30 anos e continua tomando café no fim da tarde ou até perto da hora de dormir sem pensar nas consequências, saiba que pesquisadores e especialistas em sono têm levantado um alerta importante: o corpo começa a processar a cafeína de forma diferente conforme envelhecemos, o que pode ampliar impactos sobre descanso, recuperação física e funcionamento metabólico.
O ponto central não é abandonar a bebida. O café continua associado a benefícios como aumento da atenção, melhora temporária do desempenho cognitivo e até possíveis efeitos protetores em algumas doenças. A discussão atual gira em torno de outro aspecto: horário, quantidade e capacidade do organismo de lidar com o estimulante após determinada faixa etária.
O que muda no organismo depois dos 30 anos
Embora completar 30 anos não provoque uma mudança biológica abrupta, especialistas explicam que diversos mecanismos ligados ao sono começam a sofrer alterações graduais ao longo da vida adulta. Entre eles estão mudanças no ritmo circadiano, redução progressiva da qualidade do sono profundo e maior sensibilidade a fatores que interferem no descanso.
É justamente nesse contexto que a cafeína passa a chamar atenção. De acordo com a National Sleep Foundation (NSF), uma importante organização sem fins lucrativos dos EUA, voltada para a promoção da saúde e o bem-estar por meio do sono, a substância atua bloqueando receptores de adenosina, composto químico ligado à indução do sono. Na prática, isso significa que o cérebro continua recebendo sinais de alerta mesmo quando o organismo já deveria iniciar processos naturais de desaceleração.
O resultado pode ser um efeito menos perceptível no curto prazo, mas acumulativo ao longo do tempo: dificuldade para pegar no sono, redução da qualidade do descanso e sensação persistente de cansaço no dia seguinte.
Além disso, como destacado em uma matéria do MSN, após os 30, o corpo humano passa por uma alteração no metabolismo e, assim, o fígado começa a levar mais tempo para processar a cafeína. Dessa forma, a substância permanece por um período maior gerando estímulo no sistema nervoso central e atrapalhando o relaxamento ao longo do dia.
O excesso da cafeína pode gerar ansiedade
A cafeína ajuda na liberação de cortisol, que é o hormônio do estresse. Dessa maneira, no momento em que o corpo da pessoa deveria estar entrando em relaxamento, ele acaba indo para o lado contrário, o da ansiedade.
Um estudo publicado no periódico Psychosomatic Medicine e disponível no PubMed Central, por exemplo, mostrou que 300 mg de cafeína por dia gera a liberação de uma grande quantidade de cortisol durante a tarde.
Quanto de cafeína é saudável ingerir?
De acordo com órgãos como a OMS (Organização Mundial de Saúde), FDA ((Food and Drug Administration) — agência federal do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), adultos saudáveis podem ingerir no máximo 400 mg de cafeína diariamente.
Porém, o ponto mais relevante é o horário que a pessoa toma o café. O ideal é não consumir a bebida logo ao acordar, quando você está em jejum. O melhor período de consumo é entre 9h30 e 11h30. Caso queira tomar mais uma dose, ela precisa ser até às 15h. Também não tome mais de que 200 mg em uma única dose. Por último, saiba que o tempo de ação da cafeína pode ser de até seis horas.





