As notícias falsas, chamadas de fake news, se tornaram uma grande febre na internet, principalmente nas redes sociais. Dessa forma, se transformaram em uma preocupação para a sociedade, já que espalham mentiras com poder de causar danos reais, diretos e muitas vezes irreversíveis. Nesse cenário, há muitas pessoas que caem nelas. Então, especialistas ouvidos pelo jornal Metrópoles, traçaram um raciocínio para explicar o que significa quando alguém sempre cai nas informações falsas.
De acordo com Rafiza Varão, da Universidade de Brasília (UnB), professora e pesquisadora em desinformação, e Patrícia Medeiros de Lima, professora dos cursos de Comunicação da Universidade Católica de Brasília (UCB), o fato de muitas pessoas ainda caírem em fake news está ligado a fatores emocionais, psicológicos e técnológicos.
Principais mecanismos por traz da queda em fake news
Segundo Rafiza, quando uma pessoa sempre acredita em fake news, ela está presa no fenômeno de confirmação, o qual significa que o ser humano tende a acreditar naquilo que de alguma maneira já acredita. Isso pode explicar o fato de ele não procurar aprofundar a sua apuração para ver se determinada notícia que viu no Tik Tok, por exemplo, é real ou não.
Conforme explicou a especialista, isso pode ser ainda mais intensificado quando o indivíduo passa por um momento de incerteza e precisa de algo para confirmar aquilo que acredita, mesmo que a confirmação não venha de uma fonte extremamente confiável.
Já para Medeiros, existem outros processos mentais que também colaboram para essa crença constante em informações falsas: a repetição das fake news. Esse mecanismo faz com que o cidadão acabe acreditando na notícia.
Além disso, a professora da UCB afirma que quando há uma crença estabelecida na mente da pessoa, informações contrárias ao que ela pensa acabam sendo ignoradas. Dessa forma, ocorre a preservação da coerência interna.
As redes sociais e a emoção humana
Segundo as especialistas, as redes sociais se tornam um ambiente muito propícia a propagação dessas notícias, até porque os usuários costumam a seguir quem entrega conteúdos de acordo com o seu entendimento das coisas. Nesse barco, os algoritmos trabalham conforme essas preferências, dando conteúdos relacionados às preferências.
Rafiza reforça que é normal que as pessoas tomem ações movidas à emoção. Algo também dito por Patrícia, que enfatizou o fato de o indivíduo interagir com uma publicação de maneira impulsiva, sem realizar uma checagem antes de compartilhar e comentar, por exemplo.
Confiança abalada
Mais um fator que explica a disseminação das fake news é a falta de confiança de uma parcela da população em veículos de imprensa e também na ciência. Por isso, é muito importante que exista uma educação sobre mídia, para que todos tenha uma visão crítica em relação às notícias e façam uma checagem correta por meio de veículos renomados e respeitados.





