O uso do cartão de crédito no Brasil nunca foi tão comum — e, ao mesmo tempo, tão arriscado. Dados do Banco Central mostram que o crédito rotativo, acionado quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura, disparou após a pandemia e já se aproxima de R$ 400 bilhões.
O problema é que essa modalidade tem os juros mais altos do mercado e pode transformar uma dívida pequena em um valor difícil de controlar.
Entenda por que a dívida do cartão pode sair do controle
Hoje, mais de 100 milhões de brasileiros utilizam cartão de crédito, e cerca de 40 milhões já enfrentam dívidas nessa modalidade. O principal risco está justamente no rotativo: quando a fatura não é paga integralmente, o saldo restante entra automaticamente nessa linha de crédito, com juros que podem ultrapassar 400% ao ano.
Na prática, isso significa que uma dívida de R$ 1.000 pode dobrar em pouco tempo. Mesmo com a regra que limita o valor total da dívida ao dobro do valor original, o crescimento ainda é rápido e perigoso para quem perde o controle.
Outro ponto de atenção é o uso do cartão como complemento de renda. Especialistas alertam que muitas pessoas passaram a depender do limite para cobrir despesas básicas, o que aumenta o risco de inadimplência. Hoje, mais de 60% das operações no rotativo apresentam atraso ou não são pagas.
Além disso, o parcelamento da fatura — que deveria ser uma alternativa — nem sempre resolve. Em muitos casos, ele também vem com juros elevados, mantendo o consumidor preso a uma dívida longa.
Para evitar problemas, a principal recomendação é simples: pagar o valor total da fatura sempre que possível. Também é importante evitar misturar gastos pessoais com outras despesas e acompanhar de perto o uso do cartão.





