Para muita gente, o café é sinônimo de energia, foco e produtividade. Basta uma xícara para espantar o sono e “ligar” o cérebro. Mas, para algumas pessoas, o efeito é exatamente o oposto: poucos minutos depois de beber café, surge o cansaço, a moleza e até vontade de dormir.
O fenômeno parece contraditório, mas tem explicação científica — e está diretamente ligado à forma como o corpo reage à cafeína.
Efeito rebote, genética e excesso explicam a sonolência
A cafeína age bloqueando os receptores de adenosina no cérebro. A adenosina é a substância responsável por avisar ao organismo que está na hora de descansar. Quando o café entra em ação, esse “aviso” é temporariamente silenciado, o que gera sensação de alerta. O problema é que a produção de adenosina não para. Ela continua se acumulando enquanto a cafeína faz efeito.
Quando a ação estimulante passa, todo esse acúmulo “vem de uma vez”, provocando o chamado efeito rebote: um cansaço súbito e intenso. Esse efeito tende a ser mais comum em quem consome café em excesso ou ao longo de todo o dia para driblar o sono.
Outro fator importante é o metabolismo. Algumas pessoas metabolizam a cafeína muito rápido. Nesses casos, o pico de energia dura pouco e a queda vem logo em seguida. A tolerância também pesa: quanto mais café a pessoa consome diariamente, menor tende a ser o efeito estimulante, levando o corpo a “pedir” doses maiores.
Há ainda fatores como genética e condições neurológicas, como o TDAH, que podem fazer o cérebro reagir à estimulação desacelerando em vez de acelerar. E não dá para ignorar o açúcar: cafés adoçados provocam um aumento rápido da glicose no sangue, seguido de uma queda brusca — receita clássica para sonolência.
Para quem sente sono após o café, alternativas como chás estimulantes, café descafeinado ou versões com menos açúcar podem ajudar.





