Você sabia? Alguns açougueiros utilizam um truque que faz as pessoas confundirem picanha com outro corte. Trata-se de peças que não são correspondente a original retirada da região do boi de onde é feito o corte nobre. Em alguns casos, partes do coxão duro são comercializadas como picanha.
Esse cenário não acontece por acaso. Existe um mecanismo simples que explica por que tanta gente erra na escolha: a semelhança estrutural entre cortes próximos do boi e a forma como eles são apresentados no açougue.
Como surge a chamada “picanha falsa”
A picanha verdadeira é retirada de uma região específica do traseiro do boi, próxima à alcatra e coxão duro. Essa proximidade anatômica cria um efeito direto: cortes vizinhos podem ter aparência semelhante, principalmente quando manipulados ou cortados de forma estratégica.
Na prática, isso permite que partes como o próprio coxão duro ou outras áreas da alcatra sejam vendidas como se fossem picanha, intencionalmente ou não.
O resultado é um desalinhamento entre nome e produto: o consumidor paga por um corte premium, mas leva uma carne de características diferentes.
O “truque” que gera a confusão
O ponto central não está apenas na substituição do corte, mas na forma como ele é apresentado.
O que acontece é uma combinação de três fatores:
- Cortes feitos próximos à área da picanha, mantendo aparência semelhante
- Inclusão de partes adicionais além do limite real do corte
- Ausência de padronização rígida sobre o tamanho exato da peça
Isso faz com que a carne mantenha um formato “convincente”, dificultando a identificação a olho nu, principalmente para quem não conhece os detalhes técnicos.
Como identificar a picanha verdadeira
Apesar da confusão, a picanha possui características estruturais bem definidas. E é justamente nesses pontos que está a chave para diferenciar o corte.
Entre os principais sinais estão:
- Presença de três veias laterais, que funcionam como referência do limite do corte
- Peças muito grandes têm grandes possibilidades de apresentar mistura de partes diferentes
- Delimitação clara do corte: após a terceira veia, a carne já pertence a outra região do boi
Esses elementos funcionam como “marcadores biológicos” do corte. Quando não aparecem, há grande chance de não se tratar de picanha verdadeira.





