O que começou como um capricho exótico de Pablo Escobar nos anos 1980 se transformou em um dos problemas ambientais mais inusitados — e preocupantes — da Colômbia.
Os quatro hipopótamos levados ilegalmente para a antiga Fazenda Nápoles se multiplicaram sem controle e hoje já somam cerca de 169 animais vivendo em liberdade.
De zoológico privado a ameaça ambiental fora de controle
Sem predadores naturais e com abundância de água e alimento na região do rio Magdalena, a espécie encontrou condições ideais para se reproduzir rapidamente. Projeções indicam que, se nada for feito, a população pode ultrapassar 500 indivíduos até 2030 e chegar a mais de mil em pouco mais de uma década.
Diante desse cenário, o governo colombiano anunciou um plano polêmico: o sacrifício de parte dos animais. A proposta prevê a eutanásia de cerca de 80 hipopótamos, além de outras medidas como a transferência para zoológicos e santuários — alternativa que, até agora, enfrenta dificuldades por falta de países interessados e pelos altos custos logísticos.
Classificados oficialmente como espécie invasora desde 2022, os hipopótamos já causam impactos significativos no ecossistema local. Eles contaminam a água, alteram a vegetação e ameaçam espécies nativas, como peixes-boi e tartarugas. Além disso, são considerados extremamente agressivos, o que aumenta o risco para moradores e pescadores.
Um estudo publicado na revista científica Animals aponta que, em alguns contextos, encontros com hipopótamos podem ser fatais em grande parte dos casos, reforçando o alerta sobre o perigo da espécie fora de seu habitat natural.
Apesar de seguir recomendações técnicas, a decisão do governo divide opiniões. Ambientalistas e ativistas criticam a medida, enquanto especialistas defendem ações urgentes para conter o crescimento descontrolado.
Décadas depois, o “legado” improvável de Escobar segue crescendo — e agora exige uma solução difícil, que mistura ciência, política e um dilema ético.





