A Bolívia vive um novo momento político. O país encerrou um ciclo de duas décadas de governos de esquerda com a eleição de Rodrigo Paz, de 58 anos, que venceu o pleito presidencial com 54,5% dos votos. O resultado, confirmado neste domingo (19), marca uma guinada à direita e sinaliza o início de uma fase de mudanças políticas e econômicas no país vizinho do Brasil.
“Ventos de mudança e renovação”
Em seu primeiro discurso após a vitória, Paz declarou que a Bolívia “respira ventos de mudança e renovação para seguir em frente”. Agradeceu aos eleitores, ao Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) pela transparência do processo e ao adversário Jorge Tuto Quiroga, que o parabenizou pelo resultado.
O novo presidente destacou que sua gestão será guiada pelos valores de “Deus, pátria e família”, que, segundo ele, formam a base de sua visão para o futuro boliviano ao lado de seu vice, Edman Lara. Paz também defendeu a união nacional e o diálogo com diferentes setores, do Parlamento ao empresariado, para “abrir a Bolívia ao mundo”.
Diálogo com Lula e reaproximação internacional
Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, Rodrigo Paz nasceu no exílio durante a ditadura militar e foi educado nos Estados Unidos. Ele afirmou que pretende reconstruir as relações internacionais da Bolívia, citando o desejo de manter um diálogo próximo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de líderes de países como Panamá, Paraguai, Uruguai, Equador, Peru e Estados Unidos, que já enviaram mensagens de felicitação.
“Manter uma relação próxima com um dos governos mais influentes do mundo é parte essencial das soluções que precisamos implementar e da forma como iniciaremos este governo com firmeza”, afirmou o presidente eleito.

Fim de um ciclo e promessa de moderação
Com o resultado, a Bolívia põe fim a 20 anos de hegemonia da esquerda, marcada pelos governos de Evo Morales e Luis Arce. Durante a campanha, Paz buscou conquistar os eleitores frustrados com o antigo modelo político, prometendo propostas moderadas e conciliatórias para reduzir a polarização no país.
A vitória de Rodrigo Paz representa, portanto, um novo capítulo na política boliviana, com a promessa de renovação interna e reaproximação com o cenário internacional, movimento que deve impactar diretamente as relações com o Brasil e com toda a América do Sul.





