Em busca de um tratamento definitivo contra a queda de cabelo, pesquisadores de Londres usaram uma tecnologia inovadora para entender como um fio de cabelo de fato funciona. A descoberta foi no mínimo surpreendente — e pode abrir espaço para tratamentos muito mais eficazes contra a calvície.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Queen Mary University of London em parceria com a área de Pesquisa e Inovação da L’Oréal. Usando microscopia 3D em tempo real, a equipe acompanhou o comportamento de células dentro de folículos capilares humanos mantidos vivos em laboratório.
Estudo muda o que se sabia sobre crescimento capilar
O resultado surpreendeu: o cabelo não cresce por “empurrão” da raiz, mas é puxado para cima por células que se movem em espiral ao redor do fio.
Essas células fazem parte da chamada bainha radicular externa, uma camada que envolve o fio de cabelo. Segundo os pesquisadores, ela funciona como um pequeno motor biológico, gerando uma força de tração contínua que sustenta o crescimento capilar.
Quando os cientistas bloquearam a divisão celular, o cabelo continuou crescendo. Mas ao interferir na actina, proteína responsável pelo movimento celular, o crescimento caiu mais de 80%.
A descoberta muda o foco dos possíveis tratamentos. Em vez de agir apenas sobre hormônios ou estimular a divisão celular, novas terapias poderão mirar o movimento das células e as forças mecânicas do folículo. Isso abre caminho para medicamentos que reforcem essa “tração natural” ou restaurem o funcionamento celular em pessoas com queda de cabelo.
Embora os testes tenham sido feitos em laboratório, os autores acreditam que a técnica permitirá avaliar, com precisão inédita, a eficácia de novos produtos e medicamentos no futuro. Especialistas veem potencial aplicação clínica em tratamentos regenerativos capilares nos próximos anos em humanos reais e acessíveis globalmente seguros.





