Uma nova esperança surge para quem precisa controlar o colesterol alto. Pesquisadores apresentaram, no congresso anual da Associação Americana do Coração (AHA), os resultados de um estudo sobre a enlicitida, primeira pílula diária da família de medicamentos que inibem a proteína PCSK9, responsável por dificultar a eliminação do colesterol ruim pelo fígado.
Até agora, esses medicamentos só estavam disponíveis em injeções, geralmente aplicadas a cada duas semanas ou a cada seis meses, para pacientes que não conseguem reduzir o colesterol apenas com estatinas ou mudanças no estilo de vida.
A novidade é que o comprimido diário mostrou redução de cerca de 60% do LDL — o colesterol “ruim” — em adultos que já estavam em tratamento com outros remédios, atingindo eficácia semelhante às versões injetáveis.
Como funciona o medicamento revolucionário
A PCSK9, enzima encontrada no fígado, impede a remoção do colesterol do sangue. Bloqueá-la permite que o corpo elimine mais LDL, diminuindo os riscos de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.
O grande diferencial da enlicitida é a administração oral, o que facilita a adesão, principalmente para pacientes que têm dificuldade ou aversão a injeções.
O estudo clínico de fase 3, chamado CORALreef Outcomes, incluiu mais de 14.500 participantes e seguirá até 2029 para avaliar desfechos cardiovasculares definitivos. Por enquanto, os resultados de 24 semanas indicam que o comprimido é seguro, sem diferenças significativas de efeitos colaterais em comparação com o placebo.
Especialistas destacam que o tratamento pode revolucionar o cuidado com o colesterol alto. “Se for aprovado e acessível, vai ampliar significativamente o número de pessoas protegidas contra ataques cardíacos e derrames”, afirma o cardiologista David Maron, da Universidade Stanford.
A expectativa é que a enlicitida seja uma alternativa mais prática e potencialmente mais barata às terapias injetáveis atuais, democratizando o acesso a um tipo de medicamento que até hoje era restrito a poucos pacientes.





