Há mais de 150 anos, o Brasil lidera o ranking de produção e exportação de café, sendo responsável por cerca de 38% da produção global. Entretanto, há cerca de cinco décadas, a posição do país foi ameaçada por um catastrófico evento climático.
Conhecido como “geada negra”, o fenômeno é desencadeado pela atuação de uma massa de ar polar extremamente fria e seca, cujos ventos fortes derrubam as temperaturas de forma brusca. Porém, vale destacar que o frio extremo não é o único perigo trazido pelo evento.
Afinal, os efeitos mais severos da geada negra costumam atingir a agricultura, pois os ventos associados ao fenômeno fazem com que o frio penetre nas plantas, congelando a seiva e causando a necrose dos tecidos, sendo exatamente isso que aconteceu com plantações de café no Paraná em 1975.
Até a data, o estado era o maior produtor nacional do fruto. Todavia, no dia 18 de julho daquele ano, uma massa de ar polar atingiu o Sul e o Sudeste e acabou dizimando mais de 1 bilhão de pés de café na região.
Como consequência, a agropecuária paranaense passou por grandes mudanças, com os grãos, como a soja, passando a assumir o protagonismo e ocupando mais de 5,8 milhões de hectares de terra no estado.
Evento climático raro: geada negra não ocorre com frequência
Embora seja extremamente intensa, a geada negra é tratada como um fenômeno climático raro, pois sua ocorrência depende de uma combinação bastante específica de fatores climáticos.
De acordo com especialistas, o evento exige a combinação de fatores como baixas temperaturas (próximas ou abaixo de 0°C), vento forte e umidade reduzida. Por essa razão, o risco se concentra em áreas de maior altitude, onde o frio costuma predominar.
No Brasil, o mapa do perigo da geada negra se concentra em locais como a Serra Catarinense, o planalto gaúcho, o oeste do Paraná, o Sul de Minas e as montanhas paulistas, que apresentam as conições perfeitas para ocorrência do fenômeno.





