O ex-ministro da Casa Civil e dirigente do PT José Dirceu, que está prestes a completar 80 anos, afirmou à BBC Brasil que tem adotado uma rotina com exercícios físicos e reduzido o consumo de vinho, preparando-se para uma nova campanha eleitoral.
Ele pretende lançar no próximo ano o segundo volume de uma trilogia autobiográfica e disputar pela quarta vez uma vaga como deputado federal por São Paulo.
Segundo Dirceu, a candidatura foi um pedido expresso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a campanha será uma busca por votos que ele entende como uma forma de justiça e reparação após ter cumprido prisões que considera injustas, relacionadas ao caso do mensalão e à Operação Lava Jato. Em 2025, Dirceu retornou à direção nacional do PT.
Conhecido como um dos estrategistas que levou o PT ao poder por meio de alianças políticas e organização interna, Dirceu reconhece as qualidades dos adversários políticos. Ele considera Valdemar Costa Neto, fundador e presidente do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o político mais hábil da direita e um dos quadros mais qualificados.
A relação entre os dois é antiga, remontando à aliança entre PT e PL em 2002, quando Lula foi eleito presidente com José Alencar como vice.
Prisão de Bolsonaro
Sobre a possibilidade de Bolsonaro cumprir a pena em prisão domiciliar, Dirceu avaliou que, considerando o estado de saúde do ex-presidente e o precedente de Fernando Collor, a medida seria justificável.
Ressaltou que, diferente do caso de Lula, que foi preso pela Polícia Federal, não vê condições para que presos vulneráveis ingressem no sistema penitenciário, dominado por facções criminosas e com condições precárias. Além disso, afirmou que o agravamento da saúde de Bolsonaro reforça a inviabilidade de sua permanência em presídio convencional.





