Vinte anos após o maior furto da história do Brasil, o assalto cinematográfico ao Banco Central de Fortaleza, em 2005, o mundo volta a se impressionar com um crime de proporções milionárias.
Desta vez, o palco não foi o Nordeste brasileiro, mas o coração cultural da França, o Museu do Louvre, em Paris. Avaliado em cerca de R$ 550 milhões, o roubo de joias raras pertencentes a rainhas e imperatrizes do século XIX deixou as autoridades francesas em alerta.
O roubo que chocou o Brasil
Na madrugada de 6 de agosto de 2005, uma quadrilha invadiu a caixa-forte do Banco Central em Fortaleza e levou quase R$ 165 milhões, um valor que, corrigido pela inflação, ultrapassaria R$ 400 milhões atualmente. O grupo, formado por mais de 120 pessoas, cavou um túnel de 80 metros até o cofre da instituição, em uma operação que durou meses e contou com iluminação, ventilação e até ar-condicionado.
O crime, sem disparos de arma ou alarmes acionados, só foi descoberto na segunda-feira seguinte, quando os funcionários retornaram ao trabalho. Até hoje, apenas cerca de R$ 60 milhões foram recuperados pela Polícia Federal.
O mentor do furto, Antônio Jussivan Alves dos Santos, o “Alemão”, segue preso no Presídio Federal de Catanduvas (PR). Condenado por furto, formação de quadrilha e uso de documento falso, ele cumpre pena em regime fechado.
O golpe global
Duas décadas depois, um novo episódio de roubo sofisticado voltou a chocar o mundo, desta vez, em uma das instituições culturais mais protegidas do planeta. No último domingo (19), o Museu do Louvre foi alvo de um assalto de precisão, descrito pelas autoridades francesas como “extremamente profissional”.
Segundo a promotora Laure Beccuau, as joias furtadas foram avaliadas em € 88 milhões (R$ 550,2 milhões). Entre as peças levadas estão colares de safiras e diamantes pertencentes às rainhas Maria Amélia e Hortênsia, além de um colar de esmeraldas e 1.138 diamantes da imperatriz Maria Luísa, todos datados do século XIX.
As autoridades francesas afirmaram que o prejuízo é “impressionante”, embora o impacto histórico das peças não tenha preço. Especialistas acreditam que o roubo foi motivado mais pelo valor das pedras preciosas do que pela relevância artística dos objetos.
“Crimes perfeitos”
Enquanto o assalto ao Banco Central virou referência em obras de ficção, como séries e filmes, o roubo ao Louvre já desperta o mesmo interesse global. Ambos os crimes compartilham um ponto em comum, a meticulosidade dos planos e o profissionalismo das execuções, capazes de burlar sistemas de segurança de alto nível.





