Um novo levantamento feito por pesquisadores europeus indica que o crescimento da expectativa de vida está perdendo força nos países ricos.
Publicado na revista PNAS, o estudo analisou dados de mortalidade de 23 nações de alta renda e concluiu que, apesar de vivermos mais, o ritmo desse aumento é muito menor do que se projetava décadas atrás. Segundo os cálculos, nenhuma geração nascida entre 1939 e 2000 deve alcançar a média de 100 anos.
Estudo aponta desaceleração no avanço da expectativa de vida
Os cientistas utilizaram seis modelos estatísticos para prever a longevidade de diferentes grupos etários ainda vivos hoje. A análise mostra que, desde os anos 1990, o ganho anual de expectativa de vida não ultrapassa dois meses — menos de um terço do que era observado no início do século 20.
Especialistas explicam que esse freio ocorre porque, nas últimas décadas, países desenvolvidos já atingiram o máximo impacto possível de melhorias em saneamento, vacinação, controle de infecções e redução da mortalidade infantil.
Historicamente, a curva vinha subindo de forma expressiva. Em 1900, a média global de vida era de 62 anos. Para quem nasceu em 1938, a projeção subiu para aproximadamente 80. No entanto, as novas estimativas mostram que o avanço agora caminha lentamente, estabilizando-se entre 85 e 90 anos — mesmo para gerações do século 21.
O estudo aponta que, para aumentar a expectativa de vida daqui para frente, será necessário enfrentar doenças que acometem principalmente idosos, como câncer, problemas cardiovasculares e condições neurodegenerativas.
Porém, muitas dessas prevenções dependem mais de hábitos individuais do que de ações coletivas, o que torna o desafio mais complexo.
Apesar das projeções populacionais, especialistas destacam que casos isolados podem sim ultrapassar os 100 anos. A diferença, segundo geriatras, estará cada vez mais ligada ao estilo de vida acumulado ao longo do tempo — alimentação, atividade física, abandono do tabagismo e acompanhamento médico regular.





