Faltando poucas semanas para o início da Copa do Mundo de 2026, um problema inesperado começou a preocupar a Fifa e o mercado global de mídia esportiva. Emissoras na Ásia ainda não fecharam acordo para transmitir o torneio, o que levanta a possibilidade de milhões de pessoas ficarem sem acesso oficial aos jogos em regiões estratégicas para a audiência mundial.
A situação envolve principalmente dois país asiáticos, a China e a Índia, dois mercados considerados fundamentais para o alcance comercial da competição. Mesmo sem seleções classificadas entre as favoritas do torneio, os dois países possuem enormes bases de consumidores e audiência digital, fator que transforma qualquer impasse em um problema relevante para patrocinadores, plataformas e para a própria entidade máxima do futebol.
Diferença de fuso virou obstáculo para as emissoras
O principal motivo do impasse está nos horários dos jogos da Copa do Mundo, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México entre junho e julho de 2026.
Por causa da diferença de fuso horário, partidas importantes devem acontecer durante a madrugada em vários países asiáticos. Em cidades como Pequim e Xangai, por exemplo, a abertura e a final do torneio estão previstas para começar às 3h da manhã no horário local. Já em Nova Délhi, os jogos mais relevantes devem ocorrer depois da meia-noite.
Fifa e grupos de mídia divergem sobre valores
O problema também envolve uma disputa comercial importante. Segundo informações divulgadas pela AFP, grupos de mídia asiáticos consideram os valores pedidos pela Fifa elevados diante da expectativa de audiência reduzida.
Na Índia, por exemplo, a JioStar, conglomerado formado pela Reliance e Disney, teria oferecido cerca de US$ 20 milhões (R$ 98,4 milhões na conversão direta) pelos direitos de transmissão das Copas de 2026 e 2030. Inicialmente, a Fifa buscava aproximadamente US$ 100 milhões (R$ 492,3 milhões).
China preocupa por peso digital na Copa
O caso chinês chama ainda mais atenção por causa da relevância do país nas métricas digitais da última Copa do Mundo. Dados da própria Fifa mostram que a China respondeu 49,8% do total de horas consumidas em plataformas digitais e redes sociais durante o Mundial de 2022, disputado no Catar.
Esse dado revela um ponto importante: mesmo sem protagonismo esportivo dentro de campo, o mercado chinês se tornou estratégico para a expansão global da competição.
Medo de aumento da pirataria preocupa mercado
Outro efeito possível envolve o crescimento da pirataria digital. Sem acordos oficiais de transmissão, existe o risco de aumento no consumo ilegal de partidas via plataformas piratas, transmissões clandestinas e aplicativos não autorizados. Esse cenário preocupa tanto a Fifa quanto emissoras e patrocinadores.
Além da perda financeira direta, a pirataria reduz capacidade de controle comercial, coleta de dados de audiência e distribuição oficial de publicidade.
Até o momento, a Fifa afirma já ter fechado acordos de transmissão em mais de 175 países, mas admite que ainda existem negociações em andamento em alguns mercados considerados estratégicos.





