O hábito inusitado de adultos usarem chupetas para lidar com ansiedade e estresse tem ganhado atenção nas redes sociais, principalmente na China e Coreia do Sul, onde vídeos mostrando a prática viralizaram.
O objeto, originalmente infantil, passou a ser visto como uma “ferramenta” para acalmar nervos, melhorar o sono e reduzir comportamentos compulsivos, como fumar ou comer em excesso. Apesar de alguns relatos de alívio temporário, especialistas alertam que o hábito não oferece benefícios psicológicos reais e pode indicar desequilíbrios emocionais subjacentes.
Entre o conforto e os riscos mentais
Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo, o uso de chupetas na vida adulta revela um desequilíbrio na formação da personalidade, com predomínio do Id, a parte instintiva e primitiva da mente, sobre o Ego e o Superego. Esse desequilíbrio pode indicar dificuldade em lidar com frustrações e controlar impulsos, levando a uma regressão comportamental.
Segundo Geraldo, adultos que recorrem a esse tipo de recurso apresentam uma dependência de “bengalas psicológicas” externas para gerir emoções, o que não resolve os problemas de ansiedade e pode reforçar padrões de comportamento imaturos. E
le recomenda acompanhamento terapêutico, preferencialmente por psicoterapia de base analítica ou terapia cognitivo-comportamental, para trabalhar a integração das diferentes instâncias da personalidade e desenvolver estratégias saudáveis de enfrentamento.
O fenômeno também chamou atenção fora do Brasil: no Oriente Médio, parlamentares do Bahrein manifestaram preocupação com adultos usando chupetas em locais públicos, destacando a tendência como um comportamento social preocupante.
No país, e em outros lugares, psicólogos reforçam que recorrer a objetos infantis não substitui mecanismos de controle emocional e pode até mascarar ansiedade ou estresse crônicos.
Embora a prática seja vista com humor por alguns, especialistas alertam que a “moda da chupeta adulta” pode ser um sinal de alerta sobre saúde mental, exigindo atenção e acompanhamento profissional.
Fonte: G1





