Saber em qual classe econômica uma pessoa se enquadra continua sendo uma das dúvidas mais frequentes entre os brasileiros. O tema ganhou novos contornos com a divulgação de um estudo da FGV Social que atualiza os critérios de renda e mostra como a população se distribui entre as classes A, B, C, D e E. A análise, baseada em dados consolidados até 2024 e corrigidos pela inflação, serve como referência para entender o cenário que se estende para 2026.
A metodologia é usada como base para debates sobre políticas públicas, consumo, mercado de trabalho e desigualdade social, além de influenciar decisões do setor privado e estudos acadêmicos.
Como a FGV define as classes econômicas
O estudo “Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024”, coordenado pelo economista Marcelo Neri, utiliza como ponto de partida a renda domiciliar per capita, isto é, a soma dos rendimentos do domicílio dividida pelo número de moradores.
Para facilitar a interpretação, a FGV converte esse valor em renda domiciliar total, considerando o tamanho médio das famílias brasileiras. Todos os valores são corrigidos pelo IPCA e expressos em reais a preços médios de 2023, permitindo comparações ao longo do tempo.
Segundo os pesquisadores, esse método evita distorções causadas pela redução do tamanho das famílias nas últimas décadas e oferece um retrato mais fiel do poder de compra.
Quanto é preciso ganhar para estar em cada classe
De acordo com os critérios mais recentes da FGV Social, as faixas de renda domiciliar total que definem cada classe econômica são:
- Classe E: até R$ 1.580
- Classe D: entre R$ 1.580 e R$ 2.525
- Classe C: entre R$ 2.525 e R$ 10.885
- Classe B: entre R$ 10.885 e R$ 14.191
- Classe A: acima de R$ 14.191
Esses valores servem como referência estatística nacional. O levantamento não considera patrimônio acumulado, como imóveis, veículos ou investimentos, nem as diferenças no custo de vida entre cidades e regiões.
Onde está a maior parte da população brasileira
Em 2024, a maior concentração da população estava na classe C, que reuniu cerca de 60,9% dos brasileiros, consolidando-se como o maior grupo do país.
As classes A e B, somadas, representaram pouco mais de 17% da população. Já as classes D e E reuniram cerca de 21,8% dos brasileiros, o menor patamar registrado desde o início da série histórica, em 1976.
Os dados indicam uma mudança gradual na estrutura social brasileira, com redução das faixas mais baixas e expansão da chamada classe média.
Crescimento das classes A, B e C
O estudo também analisa o grupo conhecido como classes ABC, que reúne os estratos médio e alto da população. Em 2024, esse conjunto passou a representar 78,1% dos brasileiros.
Entre 2022 e 2024, aproximadamente 17,4 milhões de pessoas migraram para esse grupo, impulsionadas principalmente pela recuperação do mercado de trabalho e pelo aumento real da renda.
Segundo Marcelo Neri, coordenador do levantamento, os percentuais de participação das classes A, B e C atingiram os maiores níveis da série histórica, refletindo um ciclo recente de mobilidade econômica.
Por que a renda per capita é o principal critério
A FGV destaca que utilizar apenas a renda total do domicílio pode gerar interpretações equivocadas. Famílias menores tendem a ter renda total mais baixa, mesmo quando a renda individual é maior.
Entre 1992 e 2024, o número médio de moradores por residência caiu de forma consistente no Brasil. Ignorar esse fator poderia subestimar ganhos de bem-estar e distorcer comparações ao longo do tempo, o que explica a escolha da renda per capita como base do cálculo.
Diferenças regionais ainda são marcantes
Apesar do avanço da renda média, as desigualdades regionais permanecem. As regiões Sul e Sudeste concentram maior proporção de pessoas nas classes A, B e C, enquanto Norte e Nordeste ainda apresentam maior presença nas classes D e E.
O perfil do responsável pelo domicílio também pesa na classificação. Famílias chefiadas por pessoas com ensino superior completo tendem a se concentrar nas faixas mais altas de renda, enquanto níveis mais baixos de escolaridade estão associados às classes inferiores.
Renda não é o único fator social
Especialistas ressaltam que a renda, embora fundamental, não define sozinha a posição social de uma família. Fatores como acesso à educação, saúde, serviços públicos, moradia, mobilidade urbana e segurança também influenciam a percepção de bem-estar.
Ainda assim, a renda continua sendo o indicador mais utilizado para análises econômicas, por ser objetiva, mensurável e comparável ao longo do tempo, e é ela que segue como principal referência para classificar as classes A, B, C e D no Brasil em 2026.





