Trabalhar como motorista de aplicativo se tornou uma alternativa comum de renda no Brasil, mas a pergunta que realmente importa é: quanto sobra no bolso ao final do dia? A resposta depende de uma série de variáveis, e nem sempre o faturamento bruto reflete o lucro real.
Ganho mensal não acompanha a carga de trabalho
Um levantamento da plataforma Gigu, que analisou respostas de mais de mil motoristas em todo o país, mostra que muitos profissionais chegam a trabalhar mais de 50 horas por semana, podendo alcançar até 60 horas em grandes capitais.
Mesmo com essa dedicação elevada, o rendimento líquido mensal costuma ficar abaixo de R$ 4,1 mil. Quando se reduz a jornada para cerca de 8 horas por dia (aproximadamente 40 horas semanais), a tendência é que esse valor seja ainda menor, dependendo da cidade e da demanda.
Quanto isso representa por dia?
Ao considerar uma rotina de 8 horas diárias, os ganhos podem ser estimados da seguinte forma:
- Renda líquida mensal: cerca de R$ 3.000 a R$ 4.000
- Ganho diário médio: aproximadamente R$ 100 a R$ 180
Esses números variam bastante conforme fatores operacionais, como tempo ocioso, cancelamentos e política de preços dos aplicativos.
Diferença entre cidades impacta diretamente o bolso
A pesquisa revela que a localização faz grande diferença no resultado final. Em algumas cidades, o lucro é significativamente menor:
- Em locais com custos operacionais mais altos, a renda pode cair para cerca de R$ 1.800 mensais, como em Maceió
- Em outros casos, motoristas registram ganhos próximos de R$ 2.200 por mês. É o caso de cidades como Manaus (AM) e Pelotas (RS)
Esse cenário evidencia que o custo por quilômetro rodado e o preço dos combustíveis são determinantes para a lucratividade.
Custos operacionais consomem grande parte da renda
Um dos principais fatores que reduzem o lucro é o peso dos gastos mensais. Em algumas cidades, como Belém, apenas o combustível pode representar cerca de 40% do faturamento.
Além disso, parte dos motoristas precisa alugar veículos, reduzindo ainda mais a margem. Há ainda as questões de manutenção, seguro e taxas das plataformas que também impactam diretamente o resultado final.
Por outro lado, quem possui carro próprio tende a ter melhor desempenho financeiro, mesmo com menor volume de corridas.
Nota da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec)
Em nota, a organização afirmou que não considera os dados apresentados como um retrato fiel da realidade dos motoristas. Segundo a entidade, o levantamento não detalha critérios técnicos nem explica a metodologia de amostragem utilizada. Além disso, afirma que as informações se baseiam apenas em relatos dos próprios motoristas, sem validação independente ou aplicação de métodos estatísticos que garantam maior precisão.
Divergência nos dados do setor
Enquanto o levantamento da Gigu aponta dificuldades financeiras relevantes, outra pesquisa conduzida pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento em parceria com a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia apresenta números mais otimistas.
Segundo esse estudo, motoristas que trabalham cerca de 40 horas semanais podem alcançar uma renda líquida média entre: R$ 3.083 e R$ 4.400 por mês
A diferença entre os levantamentos está relacionada à metodologia: enquanto um se baseia em declarações dos próprios motoristas, o outro utiliza dados operacionais das plataformas.
Vale a pena trabalhar 8h por dia?
Os dados indicam que é possível obter uma renda mensal na faixa de R$ 3 mil a R$ 4 mil com jornadas de 8 horas diárias. No entanto, esse valor depende de diversos fatores e pode ser menor em cidades com custos elevados.
Na prática, muitos motoristas ampliam a carga horária para tentar aumentar os ganhos, o que evidencia que o equilíbrio entre tempo trabalhado e lucro ainda é um dos principais desafios da profissão.





