O maior tubarão-branco já registrado no Atlântico voltou a ser avistado recentemente, surpreendendo pesquisadores e moradores do litoral canadense. O gigante, batizado de Contender, foi localizado próximo à Península de Labrador, no Golfo de St. Lawrence (Canadá), onde tem se alimentado intensamente de focas antes do rigoroso inverno.
Com 4,3 metros de comprimento e 750 quilos, o predador pode alcançar mais de 6 metros nos próximos anos, segundo especialistas da OCEARCH, organização dedicada ao monitoramento de grandes animais marinhos. Contender foi marcado em janeiro de 2025, a cerca de 70 quilômetros da costa entre Flórida e Geórgia, nos Estados Unidos.
O rastreamento é feito por meio de um transmissor que envia sinais apenas quando a barbatana dorsal do tubarão emerge na superfície. O mais recente foi detectado no fim de setembro, tornando Contender um dos exemplares monitorados que chegou mais ao norte do Atlântico até hoje.
“Poucos indivíduos alcançam essas latitudes. Ele está se alimentando o tempo todo, acumulando energia para retornar ao sul quando as águas esfriarem”, explicou Chris Fischer, fundador e líder das expedições da OCEARCH, ao Extra Globo.
Impacto da descoberta
Além de representar um marco biológico, a presença do tubarão tem impacto positivo no equilíbrio ecológico local. “A pressão que ele exerce sobre as focas é essencial. Sem a presença dos tubarões, as colônias de focas poderiam devastar os estoques de peixes”, destacou Fischer.
Segundo o pesquisador, a observação de Contender ajuda a compreender a adaptação térmica dos tubarões-brancos, capazes de manter o corpo aquecido mesmo em águas frias, desde que tenham alimento suficiente. “Enquanto há comida, eles se mantêm ativos. Se faltar, congelam rapidamente”, afirmou.
Contender foi registrado anteriormente em Pamlico Sound (Carolina do Norte) e agora está sendo monitorado com expectativa de fornecer informações inéditas sobre o comportamento e o ciclo reprodutivo da espécie. Fischer ressalta que o macho pode ser fundamental para desvendar o local exato de acasalamento dos tubarões-brancos, algo nunca identificado em nenhuma das nove populações conhecidas no planeta.
“Destruímos grande parte dessa população nas décadas de 1960 a 1980. Hoje, restam menos de 10% do número original. Por isso, cada exemplar maduro é extremamente importante para a ciência”, observou Fischer.
Os dados coletados pelo rastreador, com duração prevista de cinco anos, podem levar à descoberta de áreas-chave para a reprodução da espécie no Atlântico. Contender, atualmente com cerca de 30 anos, pode viver até os 70, o que abre espaço para acompanhar seu crescimento e comportamento por décadas.
“Ele ainda está em desenvolvimento. Queremos ver como ficará quando atingir a maturidade plena”, completou Fischer.





