A dipirona é um dos medicamentos mais utilizados no Brasil para aliviar dor e reduzir febre. Apenas em 2022, mais de 215 milhões de doses foram vendidas no país.
No entanto, essa realidade contrasta com a de diversas regiões do mundo, como os Estados Unidos, Japão, Austrália e parte da União Europeia, onde o fármaco está proibido há décadas.
Um medicamento cercado de controvérsias
O principal motivo para o veto em outros países é a possibilidade de agranulocitose, uma condição rara, porém grave, caracterizada pela queda de certos glóbulos brancos, comprometendo a defesa do organismo.
Estudos antigos, realizados nos anos 1960, sugeriram um risco elevado baseado em pesquisas com uma substância quimicamente similar à dipirona. Esses resultados levaram agências regulatórias a retirar o medicamento de circulação, e a falta de novos estudos nesses locais manteve o fármaco praticamente desconhecido.
Mais recentes investigações, conduzidas em diferentes países, mostram que a incidência de agranulocitose associada à dipirona é extremamente baixa, variando de 0,0007% a 0,0001% nos pacientes avaliados. Em alguns casos, fatores genéticos, dosagem elevada ou uso prolongado podem aumentar o risco, mas de forma limitada.
No Brasil, pesquisas realizadas ao longo de décadas confirmam que a dipirona é eficaz como analgésico e antitérmico, com risco relativamente baixo para a população. Estudos latino-americanos e painéis de avaliação da Anvisa reforçam que a segurança do medicamento é comparável a de outros fármacos comuns para dor e febre.
Disponível há mais de um século, a dipirona continua sendo utilizada de forma ampla em farmácias sem necessidade de receita, mantendo sua relevância no tratamento cotidiano de dores leves e febre. Apesar das restrições internacionais, o remédio permanece seguro e acessível no Brasil, consolidando-se como uma opção de confiança para milhões de pessoas.





