Mesmo faltando cerca de um mês para a Páscoa, os ovos de chocolate já ocupam as prateleiras dos supermercados com preços que assustam consumidores em todo o país. Um levantamento do Mercado Mineiro, realizado em dez redes de supermercados de Belo Horizonte, mostra que os ovos de Páscoa em 2026 ficaram significativamente mais caros, com reajustes que ultrapassam 30% em comparação com o ano passado.
Segundo a pesquisa, divulgada em 2 de março, nenhum produto foi encontrado por menos de R$ 50. Até mesmo as opções tradicionalmente vistas como mais acessíveis sofreram impacto relevante. O ovo Lacta ao leite de 157 gramas, o mais barato do levantamento, teve alta de 11,9% e passou a custar R$ 53,19, evidenciando que nem os itens de entrada escaparam da inflação.
Cacau caro pressiona preços e muda o consumo
O aumento dos preços está diretamente ligado ao custo do cacau no mercado internacional. De acordo com a Abicab, a quebra da safra 2023/2024 em grandes produtores como Gana e Costa do Marfim levou a commodity ao maior patamar de preço em cinco décadas, pressionando a cadeia produtiva.
Dados do IBGE mostram que o chocolate acumulou alta de 24,77% nos últimos 12 meses, segundo o IPCA, superando a inflação geral do período. Especialistas apontam que o repasse ao consumidor ocorre com defasagem, já que a indústria trabalha com contratos.
Diante desse cenário, fabricantes anteciparam a chegada dos ovos às gôndolas para diluir o impacto dos preços elevados. Segundo a Abicab, em 2025 foram produzidos 45 milhões de ovos no Brasil, volume menor que no ano anterior.
Apesar do encarecimento, o consumo não deve desaparecer. Para Roberto Kanter, professor de MBA em Gestão Comercial da FGV, ouvido por O Globo, o preço não impede a compra, mas direciona o consumidor para ovos menores.





