Avanços recentes na oftalmologia estão mudando a forma como médicos e pacientes encaram a cirurgia de catarata. Dados apresentados durante o 43º Congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Refrativa apontam que operar os dois olhos no mesmo dia, prática antes considerada de risco, pode ser não apenas segura, como também eficaz e vantajosa.
A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural do olho, se torna opaco, comprometendo a visão. O tratamento envolve a substituição por uma lente artificial, procedimento amplamente realizado no mundo. Tradicionalmente, a recomendação era operar um olho por vez, com semanas ou meses de intervalo, o que trazia desconforto para o paciente devido à diferença de acuidade visual entre os olhos nesse período.
O estudo mais amplo, realizado no Reino Unido com mais de 10 mil pessoas entre 2023 e 2024, comparou resultados de quem passou pela cirurgia em dias distintos e de quem optou pela operação simultânea. Pacientes que receberam lentes multifocais no mesmo dia tiveram desempenho visual superior: 85% alcançaram visão considerada normal, frente a 77% daqueles que dividiram o procedimento em duas etapas. Entre os que receberam lentes monofocais, o resultado foi semelhante em ambos os grupos, em torno de 70%.
Ganhos com o avanço
Na Dinamarca, outro levantamento analisou 157 pacientes submetidos à cirurgia bilateral no mesmo dia. Os números mostraram que a maioria conseguiu manter atividades cotidianas logo após o procedimento: 88% se locomoviam sozinhos em casa, 79% preparavam refeições sem ajuda e 62% afirmaram não precisar de cuidador nas primeiras 24 horas. Os dados sugerem maior independência e recuperação mais ágil.
Além do ganho de eficiência para o paciente, com menos consultas, custos menores e retorno mais rápido à vida normal, a prática pode ajudar a reduzir a fila de cirurgias, um dos principais desafios enfrentados por sistemas de saúde ao redor do mundo.
Olho seco
Outro tema debatido no congresso foi o olho seco, distúrbio que cresce em prevalência com o envelhecimento. Estima-se que metade da população nos Estados Unidos e na Europa apresenta sintomas, mas apenas uma parcela reduzida tenha diagnóstico confirmado. O problema ocorre quando as glândulas responsáveis pela lubrificação ocular produzem lágrimas de qualidade insuficiente, provocando ressecamento, irritação e visão turva temporária.
Um levantamento internacional mostrou que 60% dos pacientes demoraram pelo menos quatro meses para buscar ajuda médica, enquanto 20% esperaram mais de um ano. Entre os impactos relatados, 17% deixaram de dirigir à noite, 14,8% abandonaram o uso de maquiagem e 15,2% alteraram hábitos em casa, como reduzir o uso de aquecedores ou ar-condicionado.





