Aos 45 anos, o risco de desenvolver Alzheimer ao longo da vida fica maior. A genética tem um papel relevante, mas não explica tudo. Um grupo raro de pessoas, conhecido como “superidosos”, desafia essas estatísticas ao manter, aos 80 anos ou mais, capacidades de memória comparáveis às de indivíduos 30 anos mais jovens.
O conceito foi criado pelo neurologista Marsel Mesulam e acaba de ganhar novas evidências. Após 25 anos de acompanhamento, um estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia mostrou que esses idosos compartilham uma característica em comum: a extroversão.
Personalidade, conexões e cérebro preservado
De acordo com a pesquisa, que analisou 290 superidosos e cérebros doados por voluntários, não existe um padrão de dieta, rotina de exercícios ou medicação que explique sua performance cognitiva. O que se repete é a forma de se relacionar: todos tendem a ser sociáveis, manter vínculos profundos e valorizar as conexões, sejam elas familiares, culturais ou espirituais.
Os cérebros desses indivíduos também apresentam diferenças estruturais. Eles preservam a espessura do córtex cerebral, que normalmente se reduz com a idade, e têm um córtex cingulado anterior mais espesso, região ligada à motivação, emoção e tomada de decisão. Além disso, possuem mais neurônios de von Economo, associados à sociabilidade, e células entorrinais maiores, essenciais para a memória.
A socialização, segundo especialistas, pode atenuar os efeitos do envelhecimento cerebral. O isolamento eleva níveis de cortisol e inflamação, acelerando a perda neuronal. Já interações sociais frequentes parecem estimular o cérebro e proteger contra a demência.
Estudos com centenários reforçam essa visão: indivíduos que chegam aos 100 anos com saúde tendem a ser otimistas, extrovertidos e ativos em suas comunidades. Assim, embora os genes influenciem a longevidade, hábitos e estilo de vida — incluindo a forma de se relacionar — têm um impacto decisivo na manutenção de um cérebro jovem.





