Os gastos da União com a Previdência Social devem ultrapassar R$ 1,11 trilhão em 2026, segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso em agosto de 2025. O montante, que representa a maior fatia do orçamento federal, equivale a 44% de todas as despesas públicas e já supera R$ 1 trilhão em benefícios, sentenças judiciais e compensações entre regimes previdenciários.
Na comparação, o segundo maior destino de recursos será o Ministério da Saúde, com R$ 245,5 bilhões previstos para financiar o SUS e programas como o Mais Médicos e o primeiro hospital inteligente do país. A educação, por sua vez, terá R$ 133,7 bilhões reservados.
O colapso do sistema de repartição
O modelo previdenciário brasileiro segue o chamado sistema de repartição simples, no qual trabalhadores ativos financiam os benefícios dos aposentados. No entanto, a equação vem se tornando insustentável.
“Quando esse sistema começou, havia oito contribuintes para cada beneficiário. Em 1990, o número já era de seis. Hoje, a relação é de apenas dois. A projeção para 2060 é ainda mais alarmante, 0,8 contribuinte para cada aposentado”, alerta Gleisson Rubin, diretor de Previdência do Grupo MAG e do Instituto de Longevidade, ao InfoMoney.
Essa queda está diretamente ligada à transição demográfica, mais idosos vivendo por mais tempo, menos nascimentos e crescimento da informalidade. “Entre 2010 e 2022, o Brasil ganhou 1 milhão de idosos por ano, enquanto perdeu 6 milhões de crianças e adolescentes. A tendência é de queda populacional já a partir de 2040”, complementa Rubin.
O futuro das gerações
Segundo o especialista, os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) ainda desfrutaram de um sistema equilibrado, com ampla base de contribuintes. A geração X (1965 a 1980), já se aposentando, começa a sentir incertezas sobre a sustentabilidade do regime. Mas a geração Y (1981 a 1996) pode enfrentar o maior desafio.
“Para os millennials, a previdência privada precisa ser tratada quase como obrigação. É fundamental começar cedo, combinando investimentos de curto e longo prazo”, orienta Rubin.
Alternativas difíceis e impopulares
Para preservar o modelo atual, Rubin destaca que seriam necessárias medidas duríssimas: elevar a contribuição previdenciária de 32% para 73% do salário ou fixar a idade mínima em 78 anos. “Nenhuma dessas opções parece viável diante do impacto social”, afirma.
Hoje, apenas 11% da população adulta possui previdência complementar, o que abre espaço para expansão desse mercado. Especialistas apontam que, sem planejamento, as próximas gerações poderão conviver com benefícios reduzidos ou até a incapacidade do sistema público de manter os pagamentos.





