Ninguém esperava que uma simples verificação de rotina do governo francês se transformaria em uma das maiores crises recentes da Shein.
Mas foi exatamente isso que aconteceu quando autoridades encontraram, escondidos entre milhares de produtos, itens que levantaram um alerta imediato — e que colocariam a varejista chinesa sob forte pressão internacional.
Denúncia na França leva à remoção imediata de produtos na Shein
No último sábado (1º/10), a Direção-Geral de Concorrência, Consumo e Repressão à Fraude (DGCCRF) identificou bonecas sexuais com aparência infantil sendo vendidas na plataforma da Shein.
Segundo o órgão, as descrições e categorias deixavam “pouca dúvida” sobre a natureza ilegal do conteúdo, além de não haver nenhum tipo de restrição que impedisse o acesso de menores.
A denúncia, encaminhada às autoridades francesas, descrevia não apenas a presença das bonecas, mas também outros itens pornográficos associados. O jornal Le Parisien chegou a divulgar a foto de uma das peças: cerca de 80 centímetros, traços que remetem a uma criança e um ursinho de pelúcia nas mãos, acompanhada de uma descrição explicitamente sexual.
Horas depois da repercussão, a Shein afirmou ter removido imediatamente os produtos e declarou adotar “tolerância zero” em relação a qualquer item que viole suas políticas internas ou a legislação vigente. A empresa iniciou uma investigação interna para descobrir como essas mercadorias chegaram à plataforma.
A DGCCRF lembrou que disseminar conteúdos classificados como pedopornográficos pode resultar em até sete anos de prisão e multa de 100 mil euros. O caso intensifica o clima de tensão para a Shein, que já havia sido alvo, neste ano, de multas que somam 191 milhões de euros por práticas consideradas enganosas e violações de regras de proteção ao consumidor.
A denúncia surge em um momento sensível para a varejista, que se prepara para inaugurar sua primeira loja física em uma prestigiada galeria no centro de Paris — agora sob olhares ainda mais atentos.





