Cientistas vêm alertando para um problema invisível que está literalmente no prato: os microplásticos. Pequenos fragmentos de polímeros, menores que 5 milímetros e, em alguns casos, tão minúsculos quanto 1 micrômetro, estão sendo encontrados em quase todos os tipos de alimentos, de carnes a vegetais.
Embora os efeitos desses materiais sobre a saúde humana ainda não sejam totalmente compreendidos, estudos recentes mostram que a exposição é praticamente inevitável.
Microplásticos em quase todas as proteínas analisadas
Um estudo publicado em fevereiro na revista Environmental Research revelou que 90% das amostras de proteínas animais e vegetais testadas continham microplásticos. Os pesquisadores analisaram mais de uma dúzia de produtos, incluindo carne bovina, frango, camarão, porco, tofu e versões vegetarianas de carnes processadas.
Os resultados surpreenderam até os cientistas:
- O camarão empanado apresentou as maiores concentrações de microplásticos;
- Em seguida vieram os nuggets à base de plantas e os nuggets de frango;
- As menores quantidades foram encontradas nos peitos de frango, costelas de porco e tofu.
Segundo os autores, a contaminação provavelmente ocorre tanto na origem dos alimentos, quanto durante o processamento e embalagem.
Sal, açúcar e até chá
Os microplásticos não estão apenas nas carnes. Um estudo de 2023 mostrou que o sal rosa grosso do Himalaia continha os maiores níveis dessas partículas, seguido pelo sal preto e pelo sal marinho. Outro estudo, de 2022, identificou o açúcar como uma das principais vias de exposição humana.
Até o momento de relaxar pode ser uma fonte de contaminação: saquinhos de chá de plástico liberam enormes quantidades dessas partículas. Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, descobriram que um único saquinho pode liberar 11,6 bilhões de microplásticos e 3,1 bilhões de nanoplásticos em apenas uma xícara de água quente.
O arroz também é uma fonte importante
Um levantamento da Universidade de Queensland revelou que 100 gramas de arroz contêm entre 3 e 4 miligramas de plástico, quantidade que sobe para 13 miligramas em porções de arroz instantâneo. A boa notícia é que lavar o arroz antes do preparo pode reduzir a contaminação em até 40%.
A água engarrafada concentra micro e nanoplásticos
A água potável também está longe de ser uma exceção. Pesquisadores encontraram uma média de 240 mil partículas plásticas por litro em amostras de água engarrafada, incluindo nanoplásticos, partículas tão pequenas que podem atravessar barreiras celulares.
Esses números foram divulgados em um estudo de março de 2024 e reacendem o debate sobre o impacto do consumo de bebidas engarrafadas.
Frutas e vegetais também estão contaminados
Nem os alimentos mais “naturais” escapam. Um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Catania, na Itália, detectou microplásticos em frutas e vegetais frescos. As plantas absorvem as partículas pelas raízes, que são então transportadas para o caule, as folhas e os frutos.
De acordo com os pesquisadores:
- Entre as frutas, as maçãs apresentaram o maior nível de contaminação;
- Entre os vegetais, a cenoura liderou o ranking;
- A alface foi o alimento com menor presença de microplásticos.
Já encontraram microplásticos dentro do corpo humano
A ciência ainda não compreende totalmente os efeitos desses fragmentos no organismo, mas os indícios preocupam.
Estudos já detectaram microplásticos em pulmões, corações e até no sangue humano, levantando hipóteses sobre inflamações crônicas e possíveis impactos no sistema cardiovascular e imunológico.
Como reduzir a exposição
Embora eliminar completamente os microplásticos da dieta seja praticamente impossível, há formas de diminuir o contato diário:
- Prefira água filtrada e copos de vidro, evitando garrafinhas plásticas;
- Armazene alimentos em recipientes de vidro, cerâmica ou papel, e não em plástico;
- Não aqueça comida no micro-ondas em embalagens plásticas;
- Dê preferência a alimentos frescos, evitando ultraprocessados embalados em plástico;
- Use roupas de fibras naturais, como algodão e linho, já que tecidos sintéticos também liberam microplásticos no ambiente.





