Um dos tratamentos mais avançados contra o câncer, que pode custar até R$ 97 mil por aplicação na rede privada, deve se tornar mais acessível no Brasil. O governo federal anunciou uma parceria para produzir no país o pembrolizumabe, imunoterapia moderna já utilizada no combate a diversos tipos da doença.
O acordo envolve o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD, com previsão de transferência de tecnologia ao longo dos próximos anos. A expectativa é que a fabricação nacional reduza custos e permita ampliar a oferta do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Hoje, o uso no sistema público ainda é limitado, principalmente por causa do alto preço. Atualmente, o tratamento está disponível no SUS apenas para casos específicos, como melanoma avançado.
Como funciona a terapia e por que ela é considerada revolucionária
Diferente da quimioterapia tradicional, que ataca diretamente as células cancerígenas, o pembrolizumabe atua estimulando o próprio sistema imunológico do paciente. Na prática, ele “desbloqueia” mecanismos que impedem o corpo de reconhecer o tumor como uma ameaça, permitindo que as células de defesa ataquem o câncer.
Essa abordagem tem sido vista como um avanço importante na oncologia, com potencial de aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida em diversos casos. O medicamento já tem indicação aprovada para cerca de 40 tipos de câncer no Brasil, incluindo pulmão, mama e esôfago.
Apesar dos benefícios, o custo ainda é um obstáculo. Como o tratamento costuma ser contínuo, o valor total pode chegar a centenas de milhares de reais por paciente.
Com a produção nacional, o governo espera não apenas reduzir despesas, mas também garantir maior autonomia no fornecimento. A ampliação do uso no SUS ainda depende de avaliações técnicas, mas especialistas apontam que a medida pode representar um passo importante para democratizar o acesso a terapias de ponta no país.





