O governo do Texas, nos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (26) a ampliação da lista estadual de tecnologias proibidas para uso por funcionários públicos e em dispositivos oficiais. A medida foi confirmada pelo governador Greg Abbott e inclui novas restrições a softwares, sistemas de inteligência artificial e equipamentos de hardware de origem chinesa.
De acordo com o comunicado oficial, a atualização foi feita após consulta ao Comando Cibernético do Texas (TXCC), órgão criado em 2025 para reforçar a segurança digital do estado. A justificativa apresentada é a proteção da privacidade de servidores públicos e de dados considerados sensíveis.
“Adversários hostis coletam dados de usuários por meio de IA e outros aplicativos e hardwares para explorar, manipular e violar os usuários, colocando-os em extremo risco”, afirmou Abbott. Segundo ele, a ampliação das restrições busca mitigar ameaças estrangeiras e impedir o uso de tecnologias que possam comprometer a segurança do estado.
Lista inclui empresas de tecnologia e plataformas populares
A nova relação divulgada pelo governo texano inclui empresas e tecnologias ligadas a inteligência artificial, telecomunicações, eletrônicos e comércio digital. Entre os nomes citados estão Alibaba, Xiaomi, Baidu, TP-Link, Hisense, TCL, Shein, Temu (PDD), além de desenvolvedores de IA como SenseTime, Megvii, Zhipu (Z.ai), Yitu, iFlytek e Moonshot AI.
Também foram incluídas companhias ligadas a sistemas de vigilância, drones e sensores, como Uniview, Autel, RoboSense LiDAR, Wuhan Geosun LiDAR e NucTech. Com isso, servidores estaduais ficam impedidos de utilizar essas tecnologias em equipamentos oficiais e em sistemas do governo.
Comando Cibernético passa a liderar monitoramento
O governador designou o TXCC como a principal agência responsável por identificar novas tecnologias que possam representar riscos à segurança do estado. Segundo o vice-almirante TJ White, chefe do órgão, a missão é ampliar a proteção contra ataques cibernéticos e tentativas de extração de dados por agentes estrangeiros.
“O Comando Cibernético do Texas foi criado para proteger os texanos de nações hostis e ameaças digitais. Estamos liderando esforços para impedir ataques que possam comprometer informações confidenciais”, afirmou White.
Críticas apontam risco de xenofobia
A decisão ocorre em meio a outras medidas adotadas pelo Texas envolvendo a China. Em 2025, entrou em vigor uma lei que proíbe cidadãos e empresas chinesas, além de entidades ligadas ao Irã, Rússia e Coreia do Norte, de comprarem ou alugarem imóveis no estado.
Na ocasião, parlamentares democratas e entidades de direitos civis classificaram a iniciativa como discriminatória. O deputado estadual Gene Wu afirmou que a legislação é “anti-asiática e anti-imigrante”, enquanto representantes da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) alertaram para o risco de estigmatização de comunidades estrangeiras.
Apesar das críticas, o governo do Texas mantém a linha dura em relação à segurança digital e ao controle do uso de tecnologias estrangeiras, reforçando o discurso de proteção de dados públicos e de combate a possíveis ameaças cibernéticas.





