Uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro, a Americanas confirmou o fechamento de 193 lojas ao longo de 2025. A medida faz parte do processo de reestruturação conduzido pela empresa desde o início da recuperação judicial, iniciada após a revelação de inconsistências contábeis bilionárias, em janeiro de 2023.
O movimento representa uma redução de cerca de 22% da rede física e marca uma das fases mais duras da história da companhia, fundada em 1929, em Niterói (RJ). Ao fim de 2024, a Americanas operava 1.663 unidades em todo o país. Em dezembro de 2025, esse número caiu para 1.470 lojas em funcionamento.
Reestruturação, impacto nas vendas e desafios futuros
Entre os fechamentos, chamou atenção o encerramento da unidade localizada no Shopping Iguatemi São Paulo, uma das mais emblemáticas da rede, que encerrou as atividades no fim do ano passado. O fechamento simboliza o redimensionamento da operação e a tentativa de concentrar esforços em praças consideradas mais rentáveis.
A decisão de enxugar a rede ocorre em um contexto de queda no número de clientes. Dados de 2025 indicam que a base ativa recuou de 47,3 milhões para 40,8 milhões de consumidores. Apesar do avanço do comércio digital no país, a Americanas ainda mantém forte dependência das lojas físicas: a maior parte dos 150 milhões de itens vendidos no período ocorreu em pontos presenciais.
Como resposta à crise, a companhia revisou estratégias comerciais, fechou unidades deficitárias e buscou maior eficiência operacional. O plano também prevê reforço da integração entre canais físicos e digitais, diante de um consumidor cada vez mais conectado e exigente.
Mesmo com a redução das operações, houve sinais de alívio financeiro. Ao final de 2025, a empresa registrou caixa de R$ 942 milhões, crescimento de 46% em relação ao início do ano, reflexo de controle de custos e ajustes internos.





