Muito se perguntam o que é preciso para alcançar a longevidade. Seria genética? Alimentação? Estilo de vida? Um novo estudo suíço traz pistas importantes ao identificar 37 proteínas no sangue de centenários associadas a um envelhecimento mais lento.
A pesquisa faz parte do projeto SWISS100, conduzido pela Universidade de Genebra (UNIGE) e pela Universidade de Lausanne (UNIL). Os resultados foram publicados em 8 de fevereiro na revista científica Aging Cell.
Comparação entre gerações
O estudo analisou três grupos:
- 39 centenários (entre 100 e 105 anos, 85% mulheres)
- 59 octogenários
- 40 adultos entre 30 e 60 anos
Ao todo, foram examinadas 724 proteínas no soro sanguíneo, sendo:
- 358 relacionadas a processos inflamatórios
- 366 ligadas à saúde cardiovascular
Entre elas, 37 apresentaram um padrão considerado excepcional. O mais surpreendente: o perfil dessas proteínas nos centenários se assemelha mais ao de adultos de 30 a 60 anos do que ao de idosos na faixa dos 80.
Isso sugere que, embora o envelhecimento seja inevitável, certos mecanismos celulares podem desacelerar de forma significativa.
Menor estresse oxidativo
Um dos achados mais relevantes envolve cinco proteínas relacionadas ao estresse oxidativo processo associado ao acúmulo de radicais livres e ao desgaste celular.
Curiosamente, os centenários apresentaram níveis mais baixos de proteínas antioxidantes. Isso não indica menor proteção, mas sim que há menos estresse oxidativo a ser combatido.
Em outras palavras, esses indivíduos parecem produzir menos radicais livres ou manter mecanismos celulares mais eficientes, reduzindo danos ao longo do tempo.
Proteção metabólica e equilíbrio da insulina
Entre as 37 proteínas identificadas, algumas estão ligadas à regulação da matriz extracelular estrutura que funciona como um “cimento” biológico, mantendo tecidos firmes e íntegros.
Outras moléculas apontam possível proteção contra tumores e melhor controle do metabolismo lipídico.
Um dos achados mais intrigantes envolve a proteína DPP-4, responsável por degradar o hormônio GLP-1, que regula a produção de insulina. Nos centenários, a DPP-4 permanece bem preservada.
Isso pode ajudar a manter níveis mais baixos e estáveis de insulina, protegendo contra síndrome metabólica e diabetes.
Genética explica apenas parte da longevidade
Segundo os pesquisadores, apenas cerca de 25% da longevidade é explicada por fatores genéticos. O restante estaria ligado a hábitos e ambiente.
Entre os fatores destacados estão:
- Alimentação equilibrada
- Consumo regular de frutas
- Prática de atividade física
- Manutenção de vínculos sociais
- Controle do peso
Embora o estudo ainda não tenha aplicação clínica imediata, ele abre caminho para novas estratégias de prevenção do envelhecimento acelerado e da fragilidade na população idosa.
A descoberta dessas proteínas pode, no futuro, ajudar no desenvolvimento de medicamentos e intervenções capazes de modular o metabolismo e promover um envelhecimento mais saudável.





