A recente prática emergencial de usar vodka como antídoto para intoxicação por metanol em hospitais brasileiros surpreendeu muitos. Diante da falta de antídotos adequados, especialmente fomepizol, os hospitais em São Paulo recorreram a métodos alternativos.
Em 30 de setembro, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp destacou o déficit de antídotos disponíveis para tratar casos de intoxicações por metanol em plena emergência.
A decisão de utilizar vodca como estratégia emergencial responde à falta de alternativas no momento. O etanol presente na vodca atua na inibição da enzima ADH, responsável pela transformação do metanol em compostos tóxicos no organismo.
Essa abordagem permite que o corpo elimine o metanol de forma mais segura. Ainda que inusitada, a estratégia se mostrou eficaz em ganhar tempo até que os tratamentos recomendados estejam disponíveis.
Déficit de antídotos no Brasil
O Brasil enfrenta um cenário crítico em relação ao estoque de fomepizol, listado pela Organização Mundial da Saúde como medicamento essencial. A escassez também se aplica ao etanol puro, uma alternativa em emergências.
Essa falta de insumos aumenta o desafio enfrentado por hospitais ao lidar com casos graves de intoxicação por metanol, uma substância que pode causar cegueira e até morte se não tratada adequadamente.
Risco do metanol
O metanol, um álcool usado em produtos industriais, torna-se extremamente perigoso quando ingerido de forma indevida. Quando metabolizado pelo fígado, transforma-se em ácido fórmico, o verdadeiro agente tóxico.
Interromper essa metabolização com etanol é uma estratégia de tratamento vital. Em casos de ingestão significativa de metanol, a hemodiálise é muitas vezes necessária para remover o ácido fórmico acumulado no corpo.





