'Caribe brasileiro': por que idas à Lagoa Azul em Maragogi foram proibidas

Publicado em 23/01/2025, às 13h32
- Site dicasmaceioemaragogi.com.br

Folhapress

A Justiça Federal de Alagoas determinou a suspensão imediata de todos os passeios e visitas à Lagoa Azul de Maragogi, no litoral norte de Alagoas, local conhecido como "Caribe brasileiro".

LEIA TAMBÉM


Corais e peixes estão no local, cujo acesso era proibido até 2022. Um decreto municipal mudou isso e autorizou a visitação diária de até três catamarãs e 40 lanchas, além de mais 20 fotógrafos e duas empresas de serviços de mergulho recreativo.


MPF (Ministério Público Federal) argumenta que o decreto foi feito à revelia do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). O órgão é gestor da AP (Área de Proteção Ambiental) Costa dos Corais.


O MPF também cita que a autorização veio sem estudos técnicos ou consulta pública prévia. E que "prioriza o turismo em detrimento da proteção ambiental da área". A ação é assinada pelo procurador da República Lucas Horta de Almeida.


A APA onde está a maior barreira de corais do país foi criada em 1997. Ela protege 120 km de costa entre os municípios de Tamandaré (PE) e Maceió. A região protege espécies ameaçadas, como o peixe-boi-marinho e as tartarugas marinhas.


Estudos, segundo o MPF, apontam danos ao local. "O pisoteio, a ancoragem de embarcações, a poluição e a perturbação da fauna causam danos irreversíveis aos recifes de coral, comprometendo sua saúde e resiliência."


Juiz diz que norma municipal "não poderia dispor sobre a utilização" de uma área vedada à visitação por órgão ambiental federal. O magistrado André Granja, da 3ª Vara Federal em Alagoas, afirma, na decisão, que "a continuidade do uso indevido de áreas sob proteção ambiental configura um risco significativo, tanto para o equilíbrio ecológico quanto para a biodiversidade e a qualidade dos recursos naturais, afetando diretamente a saúde e o bem-estar das populações humanas".


A Prefeitura de Maragogi discorda da decisão e informou que vai recorrer. A gestão municipal ainda afirma que tem feito "esforços para amenizar os prejuízos sociais e econômicos causados pela referida decisão, adotando novas medidas administrativas para minimizar os prejuízos das famílias afetadas e garantir a segurança jurídica dos trabalhadores que dependem do setor turístico."

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Chance de El Niño muito forte a partir de setembro sobe para 97%, diz agência dos EUA Manchas de óleos são registradas na faixa de areia da Praia do Saco, em Marechal Deodoro Manchas de óleo aparecem em trecho da praia entre Riacho Doce e Guaxuma Maceió tem 8 trechos de praias impróprios para banho na véspera do Feriadão