Chance de El Niño muito forte a partir de setembro sobe para 97%, diz agência dos EUA

Publicado em 10/09/2026, às 14h00
Imagem de 3 de agosto de 2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño - Sentinel-6 Michael Freilich / NASA / NOAA
Imagem de 3 de agosto de 2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño - Sentinel-6 Michael Freilich / NASA / NOAA

Por Jéssica Maes / Folhapress

A NOAA elevou para 97% a probabilidade de que o El Niño se intensifique para um nível muito forte até o final de setembro, o que pode resultar em um 'Super El Niño' com impactos climáticos significativos ao redor do mundo.

O fenômeno, que começou em junho, já está causando alterações climáticas, como secas extremas na Indonésia e fortes chuvas no Rio Grande do Sul, que resultaram em deslocamento de pessoas.

Medidas de adaptação estão sendo tomadas, como a redução do fluxo de navios no canal do Panamá devido à seca, enquanto a NOAA prevê um evento histórico de El Niño com 75% de chance de ocorrer entre outubro e dezembro de 2026.

Resumo gerado por IA

A agência climática dos Estados Unidos elevou para 97% a chance de que o El Niño evolua para um patamar muito forte a partir do início da primavera, no final de setembro. A Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) atualizou nesta quinta-feira (10) sua análise sobre o fenômeno.

O órgão prevê, ainda, probabilidade de 93% da temperatura do oceano Pacífico equatorial permanecer até janeiro no patamar muito alto —o que vem sendo chamado de "Super El Niño".

A última previsão do órgão, do mês passado, era de 93% de chance de um El Niño muito forte a partir de setembro.

"O El Niño continuará se intensificando até o fim do ano", diz o comunicado da Noaa. "No trimestre de outubro a dezembro de 2026, há 75% de probabilidade de um evento histórico, que superaria a intensidade dos eventos anteriores de El Niño registrados desde 1950."

Um evento dessa magnitude, ressalta a entidade, aumenta a probabilidade de ocorrerem impactos compatíveis com o El Niño, mas não há garantia disso e nem se as consequências serão mais graves do que o normal.

O fenômeno climático, que começou em junho, é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Pacífico na região da linha do Equador próxima à costa do Peru —ao contrário da La Niña, que ocorre quando a superfície nesta região está mais fria do que o normal.

Quando a variação acima da média é de 0,5°C a 1°C, o El Niño é classificado como fraco. Na classificação moderada, a anomalia de temperatura fica entre 1°C a 1,5°C e, na forte, vai de 1,5°C a 2°C. O El Niño é classificado como muito forte quando o aquecimento da superfície do Pacífico equatorial fica acima de 2°C.

O El Niño já vem causando alterações climáticas ao redor do planeta. A Indonésia enfrenta seca extrema, que vem facilitando o espalhamento de incêndios florestais que sufocam o país com nuvens infindáveis de fumaça.

No final de julho, fortes chuvas atingiram o Rio Grande do Sul, levando ao deslocamento de milhares de pessoas na região do vale do Taquari, que também foi fortemente atingida na histórica enchente de 2024.

O canal do Panamá reduziu o fluxo de navios, já que opera utilizando água da chuva armazenada nos lagos artificiais de Gatun e Alhajuela, cujos níveis diminuíram devido à seca causada pelo fenômeno climático.

Setembro também registrou um raro trio de furacões no oceano Pacífico —Marie, Karina e Lowell.

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