Defesa nega envolvimento de militares no caso Davi da Silva e diz que “não há provas”, durante júri

Publicado em 04/05/2026, às 13h32
- Divulgação

Ana Carla Vieira

O julgamento sobre o desaparecimento de Davi da Silva, ocorrido em 2014, segue nesta segunda-feira (04), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Antes de o júri iniciar, em entrevista à imprensa, a defesa dos réus - 3 militares e uma ex-policial militar - reforçou a tese de inocência.

LEIA TAMBÉM

Um dos advogados, Raimundo Palmeira, afirmou que não há provas que sustentem a acusação e que a estratégia da defesa é demonstrar que os envolvidos não participaram da abordagem que resultou no desaparecimento do jovem.

“Estes garotos e esta garota vêm a júri hoje por um crime de repercussão, crime que dói, mas vêm inocentes. O Estado não tem qualquer prova de que eles participaram dessa abordagem. E nós temos a contraprova. O Estado quem deveria instruir a prova da culpa, nada tem que prove a culpabilidade dessa guarnição. Não estou isentando que possa ter havido uma abordagem, mas é importante que se apure quem fez e não se condenar inocentes simplesmente para se dar uma satisfação”, declarou.

Até o início da tarde, uma testemunha havia sido ouvida, um jovem que teria sido abordado no mesmo momento que Davi, mas que acabou sendo liberado. Também prestou depoimento Ana Paula da Silva, irmã da vítima.

Durante a sessão, ainda foi exibido um vídeo com o depoimento de Raniel Victor Oliveira da Silva, primo de consideração de Davi, que já faleceu. Ele era considerado uma das principais testemunhas do caso.

Após um intervalo de 40 minutos no início da tarde, o júri deve seguir com a exibição do depoimento da mãe de Davi, também já falecida. Em seguida, estão previstos os debates entre acusação e defesa.

A expectativa é de que o julgamento se estenda até a madrugada. 

Relembre o caso

Davi da Silva desapareceu após uma abordagem policial no bairro Benedito Bentes, em agosto de 2014. De acordo com testemunhas, ele estava com uma pequena quantidade de maconha e foi colocado dentro de uma viatura policial. Desde então, não há informações sobre o paradeiro do jovem.

Na ocasião, Davi estava acompanhado de Raniel Victor Oliveira da Silva, que foi encontrado morto meses depois. Ele era apontado como a principal testemunha do caso.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Justiça marca audiência de instrução um ano após morte do jovem Gabriel Lincoln Pai de Davi da Silva cobra justiça em júri e emociona ao relembrar tragédia Começam a valer penas maiores para furto, roubo e receptação Caso Davi da Silva: julgamento começa após quase 12 anos de espera por justiça