Redação EdiCase
Celebrado em 26 de junho, o Dia Nacional do Diabetes chama a atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento da doença. Embora possa apresentar alguns sinais, o diabetes costuma passar despercebido, principalmente nas fases iniciais.
LEIA TAMBÉM
Sintomas como cansaço constante, sede intensa, aumento da fome e necessidade frequente de urinar muitas vezes são associados ao estresse, ao ritmo acelerado do dia a dia ou até ao calor. No entanto, esses indícios podem estar relacionados a alterações nos níveis de glicose no sangue.
Segundo a Federação Internacional de Diabetes, cerca de 16,6 milhões de brasileiros adultos vivem com a doença, o equivalente a aproximadamente 10,6% da população adulta do país, colocando o Brasil entre as nações com maior número de casos no mundo. A tendência é de crescimento: a estimativa é que esse total chegue a 21,5 milhões até 2030, impulsionado principalmente pelo diabetes tipo 2, responsável por cerca de 90% dos diagnósticos e diretamente associado a fatores como obesidade e sedentarismo.
Mesmo sem sintomas aparentes, a doença pode causar danos progressivos ao organismo, afetando vasos sanguíneos, rins, olhos, nervos e coração. Quando os sinais se tornam mais evidentes, como visão embaçada, infecções recorrentes, feridas de difícil cicatrização ou formigamento nas extremidades, o quadro pode já estar mais avançado.
“O diabetes tipo 2 não costuma causar sintomas no começo. A glicose vai subindo aos poucos, ao longo de anos, sem sinais claros, e muitas pessoas seguem a rotina normalmente, sem perceber que há algo errado”, explica a endocrinologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Maria Beatriz Dias.
O aumento dos casos de diabetes está diretamente relacionado ao estilo de vida atual, marcado por sedentarismo, má qualidade do sono, altos níveis de estresse e consumo frequente de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas. Esse contexto favorece o ganho de peso e a resistência à insulina, condição em que o organismo precisa produzir quantidades cada vez maiores do hormônio para manter a glicose sob controle.
“Apesar dos avanços no tratamento, incluindo medicamentos que também auxiliam na perda de peso e, em alguns casos, podem levar à remissão do diabetes tipo 2, o controle da doença ainda depende, principalmente, da rotina do paciente. E não se trata de perfeição, mas de consistência”, completa a endocrinologista.
Na prática clínica, alguns hábitos fazem diferença real no controle da doença. São eles:
“Não existe solução mágica. O que funciona é aquilo que o paciente consegue sustentar ao longo do tempo. Pequenas mudanças, quando mantidas, têm muito mais impacto do que medidas radicais que não duram”, reforça Maria Beatriz Dias.
Quando não controlado, o diabetes pode levar a complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal, perda de visão e amputações. Por isso, o acompanhamento médico regular e os exames de rotina são fundamentais, mesmo na ausência de sintomas.
Após o diagnóstico, a rotina passa por ajustes, que incluem alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso e monitoramento constante da saúde. Com orientação adequada, é possível manter qualidade de vida e evitar que a doença avance.
“O diabetes não é uma sentença, nem deve ser encarado com culpa. É uma condição crônica que tem tratamento e controle. Quanto mais cedo a pessoa entende a doença e aprende a se cuidar, melhores são as chances de uma vida saudável”, finaliza a especialista.
Por Aline Telles
LEIA MAIS