Condição afeta quase uma em cada cinco gestantes e exige atenção à saúde da mamãe e do bebê desde o planejamento da gravidez
A gravidez é um período de transformações no organismo feminino e exige atenção a uma série de indicadores de saúde, incluindo os níveis de glicose no sangue. Neste Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, a conscientização sobre o diabetes gestacional ganha destaque.
LEIA TAMBÉM
Segundo a Federação Internacional de Diabetes, a hiperglicemia durante a gestação afeta quase uma em cada cinco mulheres no mundo e inclui principalmente os casos de diabetes mellitus gestacional (DMG), uma condição que surge durante a gravidez e pode aumentar o risco de complicações para a mãe e o bebê quando não é identificada e controlada adequadamente.
Entre as condições associadas ao aumento do risco de diabetes gestacional, está a SOMP (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina), anteriormente conhecida como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). O estudo “Polycystic Ovary Syndrome, Gestational Diabetes Mellitus, and the Mediating Role of Obesity: A Population-Based Cohort Study”, publicado no Journal of Obstetrics and Gynaecology Canada, que analisou mais de 1 milhão de nascimentos ao longo de 12 anos, mostrou que mulheres com SOMP apresentam risco 5% maior de desenvolver diabetes gestacional. Os pesquisadores observaram que o excesso de peso foi o principal fator associado a esse aumento, reforçando a importância do controle do peso antes da gravidez.
O obstetra Rodrigo Ruano, do Hospital Samaritano Paulista, da Rede Américas, explica que alguns outros fatores também aumentam consideravelmente as chances de desenvolver a condição. “Mulheres que já apresentavam sobrepeso ou obesidade antes da gravidez devem estar atentas durante todo o pré-natal. Também é importante acompanhar o ganho de peso ao longo da gestação. Gestantes mais velhas, com histórico familiar de diabetes ou que já tiveram diabetes gestacional em gestações anteriores também apresentam maior risco”, afirma.
Quando o açúcar no sangue não é controlado, a saúde de ambos pode ser afetada. Para a mãe, os riscos envolvem pressão alta, levando à pré-eclâmpsia, infecções urinárias e vaginais, risco de parto prematuro e maiores chances de precisar de uma cesariana, especialmente quando ocorre crescimento excessivo do bebê. “No futuro, essas mulheres também apresentam maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e de voltar a ter diabetes gestacional em futuras gestações”, explica o médico.
Os impactos para a criança também são evidentes. O excesso de açúcar pode fazer com que o feto cresça demais (macrossomia). Após o nascimento, o recém-nascido pode apresentar hipoglicemia, desconforto respiratório e icterícia. “Além de maior tendência à obesidade e problemas cardíacos na vida adulta”, complementa Rodrigo Ruano.

A boa notícia é que hábitos saudáveis são a chave para diminuir o risco de desenvolver diabetes gestacional. Manter o peso sob controle, ter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física ajudam o corpo a processar melhor a insulina e pode até auxiliar na regularização da ovulação antes da gestação.
Para Paloma Hess, endocrinologista do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas, o ideal é antecipar os cuidados antes mesmo da gravidez. “As estratégias utilizadas para controlar o diabetes gestacional, como dieta e monitoramento do peso, são ferramentas de prevenção se adotadas antes da gravidez, possibilitando uma gestação mais saudável”, explica.
O diabetes gestacional é uma condição silenciosa; por isso, os exames de pré-natal são fundamentais para o diagnóstico da doença. No início da gestação, geralmente o médico solicita um exame de glicemia em jejum. Se estiver tudo bem, entre a 24ª e a 28ª semana, é feito o famoso teste da “curva glicêmica” para ver como o corpo processa o açúcar.
Se o resultado for positivo, não há motivo para pânico: na maioria das vezes, o diabetes gestacional é controlado com uma dieta personalizada e exercícios físicos leves. Caso isso não seja suficiente, o uso de insulina pode ser indicado, sendo considerada a opção mais segura para proteger o bebê.
“A saúde da mãe e do bebê depende de um olhar atento e multidisciplinar. Quando obstetra, endocrinologista e nutricionista trabalham juntos, o controle da glicemia se torna muito mais simples e eficaz, trazendo a proteção que esse período exige”, conclui Paloma Hess.
Por Monique Dutra
+Lidas