Mulher que alegou "roleta-russa" na morte de sargento da PM vai a júri popular nesta quinta (6)

Publicado em 05/08/2026, às 16h18
- Reprodução

Yasmin Gregorio*

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Mais de quatro anos depois da morte do sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, de 53 anos, o caso volta ao centro das atenções com o julgamento de Josefa Cícera Nunes Flores, acusada de matar o companheiro dentro da casa onde o casal morava, no bairro Cidade Universitária, em Maceió. O Tribunal do Júri está marcado para esta quinta-feira (6).

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Enquanto a defesa afirma que Josefa agiu em legítima defesa, o Ministério Público de Alagoas (MPAL) sustenta que o disparo foi resultado de uma discussão por ciúmes e pede a condenação da ré por homicídio qualificado. A sessão começa às 8h, no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro.


Relembre o caso

O crime aconteceu na noite de 23 de março de 2022, dentro da casa onde o casal morava, em um condomínio no bairro Cidade Universitária, em Maceió.

Alessandro Fábio foi baleado na região do abdômen, chegou a ser socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade Universitária, mas não resistiu aos ferimentos.

Na residência do casal foram apreendidos uma pistola Taurus / 938, uma pistola Glock. 40 e três carregadores. As armas apreendidas, conforme informou a PM, não tinham registro.

As versões apresentadas pela acusada

Desde o dia do crime, a explicação dada por Josefa mudou e passou a ser um dos principais pontos do caso.

Em um primeiro momento, ela disse que o disparo teria acontecido durante uma suposta brincadeira de "roleta-russa". Depois, afirmou que o casal discutia por ciúmes e que o companheiro a teria agredido. Segundo a acusada, os dois entraram em luta corporal e o tiro foi disparado nesse momento, o que embasa a versão de legítima defesa apresentada por ela.

Para o Ministério Público, porém, essa versão não é compatível com as provas reunidas durante a investigação.

O que apontou a investigação

De acordo com o MPAL, o laudo cadavérico concluiu que o tiro foi disparado à distância, o que contraria a versão de que a arma teria sido acionada durante a luta corporal.

A investigação também reuniu depoimentos de testemunhas que descreveram um relacionamento marcado por discussões frequentes motivadas por ciúmes. Além disso, relatos apontam que Josefa apresentava comportamento agressivo e já havia se envolvido em outros episódios com arma de fogo, já que havia trabalhado como segurança, agente penitenciária, e já havia feito curso de segurança armada.

Um dos casos citados ocorreu em 2020, quando ela teria efetuado 12 disparos contra o pneu do carro do ex-marido. No veículo também estavam a esposa dele e uma criança.

Com base nessas informações, o Ministério Público denunciou Josefa por homicídio qualificado por motivo fútil e defenderá essa tese durante o julgamento.


O que acontece a partir de agora

Durante o júri, acusação e defesa apresentarão suas versões dos fatos aos jurados. Depois dos depoimentos e dos debates, caberá aos sete integrantes do Conselho de Sentença decidir se Josefa Cícera Nunes Flores será condenada ou absolvida pela morte do sargento Alessandro Fábio da Silva.

Estagiária sob supervisão.

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