O futuro incerto da maior barreira de corais do mundo

Publicado em 04/04/2019, às 21h17
Corais/Ilustração | Pixabay -

Exame

Os ecossistemas da Terra são um exemplo de resiliência. Diante de pertubações, eles são capazes de se recuperar e voltar ao seu estado de equilíbrio. Mas essa capacidade é mais ou menos limitada, depende tanto das características ambientais quanto do grau da destruição, e, principalmente, exige tempo para recuperação. Choques recorrentes desestabilizam esse poder restaurativo da natureza, aumentando o risco de colapso ecológico generalizado.

LEIA TAMBÉM

É justamente isso o que está ocorrendo no maior sistema de corais do mundo — a Grande Barreira de Corais Australiana. Considerada uma espécie de “highlander” do mundo natural por sua alta resiliência frente a alterações drásticas nos oceanos ( já passou cinco vezes por experiências quase-morte nos últimos 30 mil anos), a Barreira dá sinais de exaustão.

O alerta vem de um novo estudo divulgado na revista Nature por pesquisadores do Centro de Excelência para Estudos de Recifes de Coral da Austrália. A constatação? O declínio atual dos corais, provocado pelo aumento das temperaturas globais, simplesmente não dá trégua, o que impede a plena recuperação deste habitat considerado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco. 

Desde 1998, a Grande Barreira de Corais passou por quatro branqueamentos em massa, fenômeno que ocorre quando as condições ambientais se tornam anormais e levam os corais a “expelir” as pequenas algas fotossintéticas, chamadas “zooxantelas”, que vivem sobre sua superfície e lhe dão a cor característica.

Os dois piores foram entre 2016 e 2017, quando o aquecimento das águas acima do normal provocou um branqueamento que matou mais de um terço das partes central e norte da barreira.

Não só muitos dos corais adultos morreram, mas pela primeira vez, os pesquisadores observaram um declínio significativo em novos corais se instalando no recife, comprometendo a capacidade de recuperação do ecossistema.

Eles concluíram que os episódios repetidos de branqueamento afetaram a capacidade de recuperação dos estoques de corais reprodutores adultos, o que, por tabela, prejudicou a produção de novos corais — o assentamento de “corais bebês” no recife declinou 89% no ano passado.

Até onde os corais suportarão estresses térmicos associados às mudanças climáticas é uma questão incerta, dado a estimativa de  aumento da frequência de eventos extremos nas próximas duas décadas. 

Se as emissões de carbono continuarem no ritmo atual em um cenário sem mudanças (business as usual), o branqueamento ocorrerá duas vezes a cada década a partir de 2035, e anualmente após 2044, de acordo com os modelos climáticos da Unesco.

Segundo os cientistas, os corais branqueados podem se recuperar se a temperatura voltar ao normal, mas esse processo pode levar uma década ou mais. Sem uma redução drástica de emissões, o destino desse ecossistema ganha contornos sombrios. E de tudo aquilo que ele suporta também.

Estendendo-se por mais de 2.000 quilômetros ao longo da costa do estado de Queensland, a Grande Barreira de Corais é composta por quase três mil pequenos recifes e mais de 900 ilhas no oceano Pacífico.

O paraíso natural é lar de 400 espécies de corais, 1.500 espécies de peixes, 4.000 espécies de moluscos e de animais em risco de extinção, como o peixe-boi e a tartaruga verde.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Chance de El Niño muito forte a partir de setembro sobe para 97%, diz agência dos EUA Manchas de óleos são registradas na faixa de areia da Praia do Saco, em Marechal Deodoro Manchas de óleo aparecem em trecho da praia entre Riacho Doce e Guaxuma Maceió tem 8 trechos de praias impróprios para banho na véspera do Feriadão