O que poderia ser a vitrine da transição energética brasileira e mundial virou um laboratório de erros, omissões e escolhas políticas desastrosas.
O infarto não é apenas técnico: é político, econômico e moral.
É o entendimento do economista alagoano Daniel Lima Costa, especialista no setor energético:
"Decisões que ignoram a realidade: em recente decisão, o TCU restringiu as alterações técnicas (ACTs) em projetos eólicos e solares, travando bilhões em investimentos e centenas de milhares de empregos.
As Causas do Colapso
Planejamento inexistente: geração e transmissão não se entendem, criando gargalos e desperdícios. Imagine que até 2030, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), todas as regiões terão aumento de capacidade de escoamento, menos o Nordeste, que ficará com margem zero. Isso apesar da previsão da matriz elétrica da região crescer 25% nos próximos cinco anos.
Consumo reprimido: com uma carga de juros extorsivos que inviabiliza investimentos e sem estímulo à indústria e ao comércio, a energia não encontra mercado interno.
Ausência de armazenamento de energia: sem baterias de grande porte, a energia gerada em abundância se perde.
Desprezo pela mini e microgeração de energia: com um programa de incentivo a pequenos sistemas de armazenamento em baterias, poderia equilibrar a geração com o consumo de milhões de residências e pequenos comércios, mas a tecnologia é ignorada.
A Contradição Explosiva
Em vez de apostar no sol e no vento abundantes, o governo decidiu implantar 10 GW de térmicas a gás. Uma escolha cara, poluente e atrasada, que amarra o futuro da região a combustíveis fósseis e desvia investimentos das renováveis. É como receitar cigarro para um paciente infartado.
As Consequências
Fuga de investidores, empregos e renda. Risco de apagões e instabilidade crônica. Perda de competitividade industrial. Retrocesso econômico, ambiental e tecnológico.
Não é exagero dizer: estamos diante de um crime econômico e social contra o Nordeste e contra o futuro energético do Brasil.
A Política da Maionese
Enquanto o sistema entra em colapso, os políticos da região nadam na maionese, desconectados da realidade, surfando discursos encomendados por grupos de interesse nada republicanos. A crise energética vira palco de lobbies, e a população fica refém de narrativas que não entregam soluções.
O Nordeste infartou porque foi abandonado à própria sorte, vítima de escolhas equivocadas e de uma política energética que serve a poucos. Se nada for feito para reanimá-lo, o paciente corre o risco de colapso total."
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