Polícia rebate acusações de tio de agente morto por colega de farda: 'Não encontramos nada'

Publicado em 20/05/2026, às 16h23
- Yasmin Gregório/TNH1

Yasmin Gregório* e João Arthur Sampaio

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Durante coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (20), na sede da Delegacia Geral, no bairro de Jacarecica, em Maceió, a Polícia Civil de Alagoas rebateu as acusações do delegado de Sergipe, Luciano Cardoso, tio do policial civil Yago Gomes — morto pelo colega de farda Gildate Goes Moraes Sobrinho  de que o suspeito teria cometido “outras execuções”,  incluindo casos envolvendo um preso e um animal.

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Em entrevista à TV Pajuçara/RECORD, Luciano afirmou que o sobrinho sofreu uma execução por parte do também policial Gildate, de 61 anos. Veja, abaixo, a fala do familiar.

"A informação que eu tenho é que ele já matou um colega há anos atrás, executou um preso dentro da viatura e que recentemente matou um cachorro. Será que a Corregedoria da Polícia Civil de Alagoas não tinha conhecimento desses fatos, porque que estava na ativa se era louco? Pelo que vi aqui, ele assassinou um policial [Denivaldo Jardel Lira Moraes] e Yago não concordando com a situação, ele foi lá e matou Yago para não ter testemunhas", enfatizou.

De acordo com o delegado Sidney Tenório, integrante da comissão composta para investigar o caso, foi feito um levantamento, juntamente à corregedoria, e ele só responde a quatro procedimentos administrativos durante todo histórico, que é de mais de 30 anos. Segundo Sidney, nenhum desses procedimentos tem relação com homicídio ou crimes violentos contra animais.

“Existem casos, inclusive, uma falta de trabalho. Teve uma situação mais grave que é uma agressão física, mas a terceiros, assim como outras questões também que são simples. Todos foram arquivados pela corregedoria. Foi feito um amplo levantamento em um sistema policial mais antigo e não foram encontrados procedimentos da Polícia Civil contra ele, assim como no novo sistema e também não consta nada no esaj [plataforma do Poder Judiciário]. Essas informações foram veiculadas, mas nas nossas pesquisas não encontramos nada, nem judicialmente, nem administrativamente”, declarou o delegado.

Ao longo da entrevista, a polícia ressaltou que as informações são desta apuração prévia já realizada. Até o momento, não foram encontradas provas que sustentem as acusações do tio de Yago, nem que comprovem que Gildate tenha problemas psicológicos que o teriam levado a cometer o crime. O termo “surto” teria sido usado pelos agentes que fizeram o flagrante de maneira coloquial. A fala de Luciano está sendo interpretada como a de um “parente transtornado”, no entanto, as investigações continuam para esclarecer os fatos.

“Parte da investigação feita em Maceió é ouvir familiares dele, que inclusive já provisoriamente disseram que ele não tem nenhum tipo de tratamento psiquiátrico, e também não faz uso de qualquer remédio controlado. Essa é a afirmação da esposa dele que reside na capital. Outra situação é que fizemos o levantamento junto ao nosso RH e não há nenhum tipo de pedido de afastamento em relação a isso”, detalhou Tenório.

Sobre a motivação, o delegado informou que ela está sendo investigada. Entre as pessoas que estavam no carro, duas foram mortas e a terceira é o autor dos disparos. Em depoimento, Gildate não teria esclarecido o que o teria motivado a atirar e matar os colegas de farda, inclusive, ele conta que não se lembra do que aconteceu.

A comissão de delegados formada pela Polícia Civil para investigar o caso conta com o delegado Sidney Tenório, delegado Flávio Dutra e delegado Andrey Araújo.

Entenda o caso

Gildate foi preso suspeito de matar dois outros agentes da Polícia Civil na madrugada desta quarta-feira (20), no município de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. As vítimas foram identificadas como Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira.

De acordo com os primeiros levantamentos, na madrugada, eles estavam em uma viatura e retornavam de uma ocorrência, a caminho da Delegacia Regional de Delmiro Gouveia.

O suspeito ocupava o banco traseiro do veículo quando teria entrado em surto e efetuado disparos contra os dois colegas, que estavam nos bancos da frente. Ambos morreram no local.

Prisão em flagrante convertida em preventiva

O policial civil Gildate Goes teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça nesta quarta-feira (20). A decisão trouxe que a imposição de medidas cautelares seria “insuficiente”. Também foi determinado que o autuado permanecesse detido em uma cela separada dos demais detentos, por ser agente de segurança pública.

Além disso, o juiz também determinou que sejam cumpridas diligências como realização do exame toxicológico nas vítimas e no suspeito; perícia no celular do autuado; levantamento e análise de imagens de câmeras de vigilância da região; oitiva de testemunhas que possam ter presenciado os fatos; e uma investigação no estabelecimento comercial onde as bebidas foram consumidas pelos agentes de segurança.

*Estagiária sob supervisão

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